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sábado, janeiro 28, 2012

LATITUDES PERDIDAS



percorro as minhas mãos
nuas...
cego-me em barcos perdidos
sem ventos
mares sem limites
latitudes oscilantes
ruínas dantescas...
tenho saudades do teu correr
livre
ao encontro da minha
ânsia
tenho saudades da escrita
do teu olhar
nos cabelos do meu
devaneio
tenho saudades dos teus
seios
como aves carentes
de ancoradouro
tenho saudades do teu
corpo
queda livre sem...
perguntas
apenas velas sulcadas
tenho saudades do teu
ondular
sopro na praia
até ao cair sem forças
tenho saudades das tuas
palavras
sem métrica
sem respiração
naufrágio apneia
labial
tenho saudades
dos desencontros
nos encontros luz
acordo sem leituras
sem tempos ou fugas
tenho saudades e digo-me
sobressaltos
que fecho na vastidão de luares
frios
manhãs que sabem as noites
e a saudades gritos
que fazem ecoar sinos
descompassados
na aldeia do vagueio
fissuras alarmes
sem terra à vista
sem prelos
quase matéria polvilhada
de intempéries
agrestes de poeiras
nos barcos perdidos
das minhas mãos
nuas...
quem sabe até o pó
descer ao verbo



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2011

18 comentários:

Maria disse...

Também tenho saudades de muito. De tanto.
Se souberes, quando souberes, diz-me como se matam as saudades...

Um beijo, Outono.

Ju disse...

Saudades! Quem as não tem? Há sempre algo de bom, de muito bom, que ficou para trás e não volta mais. Resta-nos recordar, ou tentar esquecer!...

Um abraço

mariam disse...

Belíssimo!
Lido de um fôlego, ou melhor, desci a correr e depois voltei a ler devagar... gostei muito! A foto é linda e a música não menos.

Beijinhos e bom-fim-de-semana!
mariam

Justine disse...

As saudades acompanham-nos para sempre, são a nossa roupa...

A Luz a Sombra disse...

Magnifico o poema, magnifica a fotografia, ao ler aumentam as minhas saudades.
Bom domingo.

Vanda Mª Madail Rafeiro disse...

Uma palavra apenas para este poema: ÓPTIMO!

Beijo, Amigão!
Vanda

Nilson Barcelli disse...

Quando a saudade bate à porta, há sempre à mão um poema para nascer...
Excelente. Gostei imenso.
Caro amigo, boa semana.
Abraço.

Mar Arável disse...

Belo texto

... mas poeta...

não mate as saudades

Ailime disse...

Um poema lindíssimo!
A saudade que nos envolve no percorrer do tempo, gravado na alma.
Um beijinho.
Ailime

OUTONO disse...

MARIA

Saudades...quem as não tem ?
Palavra mágica de alegria e tristeza, que toca na alma.
Não te sei dizer como "matar" saudades, sei apenas dizer-te que é bom sentir o teu comentário.

Beijo!

OUTONO disse...

JU

Por vezes com dor...muita dor!

Um abraço

OUTONO disse...

MARIAM

Ainda bem, que no teu correr, passaste e deixaste mensagem.

Agradeço-te a simpatia e incentivo.

Beijinho

OUTONO disse...

JUSTINE

Perfeita definição....

Abraço!

OUTONO disse...

A LUZ A SOMBRA

Quedo-me...no ler da tua simpatia, que me honra!

Abraço!

OUTONO disse...

VANDA

Sei que a verdade das tuas palavras... traz um sentir de amigo.

Grato!

OUTONO disse...

NILSON

...um presente....a tua apreciação.

Abraço!

OUTONO disse...

MAR ARÁVEL

...matar NUNCA! Sentir ...sempre!

Abraço!

OUTONO disse...

AILIME

...o correr do tempo, dita-nos tanto....e, por vezes, nem o aferimos!

Abraço!