My music...

https://youtu.be/IhAFEo8DO2o

terça-feira, junho 28, 2016

TEMPOS



TEMPOS



- José Luís Outono -
(excerto)

...nos claustros dos tempos fugidios, leio sóis indefinidos de palavras referendadas.
Os boatos correm a maratona da confusão, enquanto os mapas de "excel" sucumbem às agitações demolidoras das cotações.
As vozes do pró e do contra confundem-se na margem ténue de uma percentagem, quase ilegível.
Curioso ouvir uma pergunta inteligente de uma jornalista inglesa, a um dos promotores da saída (dita) airosa:
- Perante o voto decisório, qual é o Plano?
- Não há ... não temos.
O estúdio silencia-se e a emissão afoga-se num intervalo imprevisto.
"God save the memory"... li há dias num cartaz promocional de uma farmácia à beira do Tamisa.


JLO
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sábado, abril 23, 2016

ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 de ABRIL de 1974



ESFORÇO COMPENSADO
Quase que voltei o escritório do avesso, para encontrar este escrito saudoso. Valeu, a busca, a ansiedade e a lágrima no canto do olho, como a velha canção. Poderia editar, apenas no 25 de Abril. Mas a homenagem, que quero fazer à data e a um grande senhor da minha vida é maior.
ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 DE ABRIL DE 1974
Bem longe, desse Continente de confusões,
entendo agora meu pai, as tuas palavras.
Quando me avisavas dos gritos de dor da António Maria Cardoso
perguntava-me – Uma simples rua traz dores? 
Quando às escondidas ouvias a rádio
e acenavas com a cabeça as verdades ditas, 
perante o meu olhar duvidoso – Sorrias.
Quando esboçavas um pestanejar, 
ao ver-me com uma farda obrigatória,
e dizias em gozo certeiro – Mocidade?
Quando ralhavas comigo, nas minhas manifestações do contra,
e finalizavas – Entende antes que os sarilhos te marquem.
Quando discutiste comigo, face à minha revolta
por este uniforme que envergo, ser obrigado a parar os estudos,
e disseste – Não te esqueças de marcar a folha do livro interrompido.
Quando te falei num namoro louco,
e gritaste - Nunca me dês esse desgosto político.
Quando me viste partir para este inferno colonial,
e com um abraço disseste – Não te esqueças de regressar.
Quando escrevias em código as cartas da saudade,
e eu inocente questionava – Que chatice!
Quando um dia redigiste – Gostava tanto de escrever-te
sem parágrafos programados, e eu respondi – Liberta-te!
Quando um dia sorriste na praia,
e apontaste o mar - Há forças livres! É bonito … não é filho?
Hoje, depois de ler o Comunicado das Forças Armadas,
neste microfone colonialista dou-te razão.
Hoje, os discos censurados foram tocados, 
e percebi o porquê do Carlos Paredes ter o lápis amarelo.
Quando voltar, quero agradecer a tua paciência.
Quando te abraçar, vou dizer – Se for pai, serás a minha certeza.
Hoje entendi as tuas palavras, e cuidados.

JLO – 25 de Abril de 1974
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sábado, março 19, 2016

TECELAGENS INCOMPLETAS



TECELAGENS INCOMPLETAS

há cores simples na tela de um olhar

encontros casuais entre a metáfora e o desejo

sinopses de páginas vividas

tecelagens incompletas

enquanto os sóis assinarem o ponto de cada manhã

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

terça-feira, fevereiro 23, 2016

INQUIETAÇÕES


INQUIETAÇÕES

- José Luís Outono -
(excerto)

vivem-se desfiladeiros incoerentes
onde sopram discursos inquietantes
definições assimétricas de rascunhos
ditos documentos

procuro no dicionário pela palavra esperança
e leio no rodapé de um elo definidor
fechado temporariamente para balanço

na reserva de cidadania
de uma passadeira pedonal
hesito em passar para o outro lado
apesar do gesticular das sereias
do condomínio da conveniência
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

quarta-feira, janeiro 20, 2016

MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS




MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS
- José Luís Outono -
(excerto)

o argumento escreveu-se
na tangente de um globo ainda respirável
a abertura focal delimitava enquadramentos
como meros traços na arquitectura do sonho quimérico
o interior reclamava alvíssaras
no encontro de cada equação a duas incógnitas
os lábios esboçavam meros símbolos pactuais
em planos orlados com olhares ainda idilistas
enquanto o mar trajava cores assimétricas
na sedução à gaivota ousada
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

segunda-feira, janeiro 04, 2016

MIRADOUROS INCONFORMADOS


MIRADOUROS INCONFORMADOS
- José Luís Outono -
A exaustão de momentos em rasgos da vida, causa sempre uma estranheza nas restantes atitudes, que ponderamos.
Novos anos, novos votos. O costume de um caminho grisalho ainda resistente. Mas, a realidade dos anseios, ou das esperanças, ou até das leituras envolventes, permanece num marasmo de interrogações, ou factos sem volta a dar, como dizia um treinador de futebol, quando explicou que "tar" à frente é melhor que "tar" atrás.
Lentidões, que suplantam a velocidade do parado. Culpados, sem culpa, maus tratos, que são apenas quedas naturais de esquecimentos temporários, arrastamentos incólumes de governações sem visão, o eterno fluir de dispositivos musculados (expressão policial) das autoridades, em defesa do santo futebol, o grito do miserável, que esbanja a crédito sem regras, a comunicação social imparável no pior, para vender o melhor, as perdas como atenuantes de esquecer outras notícias, locuções arrastadas em soluços de enviados, pouco especiais, os "chicos espertos" de um povo, que não respeita a segurança rodoviária, os actores acidentais de barriga abastecida de bom marisco, que em locais públicos, gritam e comentam as posições sexuais da acompanhante, entre histórias de casas para matraquear virgens, em voz de garrafão, como se fossem os extra-terrestres do poder das estrelas. Um turismo, onde somos milionários, a apodrecer nas regras do deixa andar, um poder local que governa dentro de gabinetes, sem olhar aos estragos ...denunciados pelos zelosos munícipes. Mas multipliquem-se os buracos das quedas, os entupimentos viários, os "grafiteiros" candidatos a realizadores do YouTube, e os meliantes que matam, por meia dúzia de euros, polícias aposentados, que ainda são exemplo de intervenção.
Valha-nos a vitória do clube de Alvalade ( com quem simpatizo), e dos vermelhos, que foram alcançar a vitória ao Vitória, com um grito do Vitória. Sim, isso é que é importante, nas horas das notícias, para justificar, porque pago tão caro a televisão, a Net, e o telemóvel. Os milhões são necessários para vestir os meninos da bola, enquanto os meninos da rua, enfrentam o frio com a pele nua. Enquanto morrem pessoas, com a poupança nos horários de atendimento, com a falta de médicos e enfermeiros, caminhantes na ida para outros recantos onde sejam dignamente pagos ... mas para esses nem milhares, nem milhões, apenas reuniões aferidoras de tempos, em que o tempo tem de esperar.
Viva o futebol dos contratos milionários, com enchentes sem crise. Viva as telenovelas com argumentos e representações da treta.Viva os segredos da quinta, com burros como comentadores (inédito). Viva o "chico espertismo" no geral de ser notícia, sem enredo.
Cheguei à conclusão, que tenho de voltar para a escola e tirar umas cadeiras destes estranhos mundos do desenrasca.
Claro, que há muitas honrosas excepções, do que referi .
JLO
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sexta-feira, dezembro 11, 2015

1º. Salão de Natal de Artes


Sintam-se convidados. Será uma honra!

sábado, novembro 28, 2015

POR VEZES



POR VEZES


- José Luís Outono - 
( excerto)


por vezes apetece inverter as cores

num esperançar de ver receios abraçar coragens


e os medos sorrirem como separadores dialogantes

nas muralhas bélicas da loucura sem definição


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

segunda-feira, setembro 28, 2015

MARÉS



MARÉS 

- José Luís Outono -
(excerto)


gosto tanto de respirar-te

sentir o teu iodo ameno
e segredar-te marés d'ontem
navegações d'hoje
e aguardar-te ansioso amanhã

não
este devaneio ninguém me rouba

ou encena em cláusulas impostoras
redigidas com olhares cegos de obediência
vulgo teimosias de um domar encoberto


gosto tanto de respirar-te

e sentir-te livre
como a minha vontade
de acordar sem sobressaltos

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

terça-feira, agosto 25, 2015

DESCULPA


Desculpa...
Queria escrever-te uma carta neste final de dia, onde rompesse os receios e escrevesse amor, com um sorriso reconfortante.
Mas não sou capaz.
Nesta mudança de parágrafo, olho para o Mediterrâneo e vejo sepulturas aquíferas, nas águas de fugas sem destino.

Vejo crianças com choros questionadores, sem brinquedos para partilhar e quantos colos sem serem pertença directa.
Vejo mulheres e homens, que buscam o lado natural de um viver, e lutam numa guerra indefinida, sem coordenadas, ou sóis rubricadores de possíveis jardins.
Vejo esforços, mãos, discursos, apelos...mas muitas indefinições que me boicotam um final de dia tranquilo.
Vejo tanto amor esbanjado, países e lavagens nas encostas de torres luxuosas, pontapés que erguem ouros, diamantes, estruturas, páginas e comunicados acesos, quando simples colheres de pau, alguns tachos, alguma fruta, algumas pescas perdidas, algumas hortas floridas e simples nascentes, eram suficientes para regar a fragilidade de quem foge, para tentar morrer um pouco mais tarde. Porque no deserto do nascer deles, o verbo viver é um inútil esforço.
Desculpa meu amor. Hoje não consigo colorir o final do dia, quando vejo mundos feridos de irregularidades, entre guerras obscuras e contos de almejos vendidos nas praças dos interesses ao desbarato da conveniência.
Custa-me ver estas contabilidades de milhares salvos, não sei de quê, contra milhares de mortos, não sei porquê.
Sei que amanhã o cenário vai ser o mesmo...oxalá como realizador me enganasse no enredo e abrisse um novo plano sedutor.
Desculpa, hoje as minhas palavras são preocupantes. Há matemáticas, que não entendo. Teorias que não vislumbro. Filosofias muito duvidosas. Magias denunciadoras. Marketing maldito... do venha a mim, porque os outros terão de esperar.
É este o mundo, que vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos?
Será que fazer amor, ainda é um acto lógico de crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade...ou será apenas um mero exercício dos tempos da maçã de Adão e Eva, para não esquecer...e depois logo se vê.
Desculpa meu amor, mas hoje mergulhei em águas sofredoras e estou muito pensativo. Lembras-te? As mesmas águas onde já mergulhámos felizes, são hoje cemitérios ou corredores de sofrimento. Impossível !
Desculpa.


José Luís Outono
( ao abrigo dos direitos de autor)