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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

DIÁRIO DE UM DIA ...continuação



Pequeno intróito

Depois das três partes , deste conto - DIÁRIO DE UM DIA, escritas no final do ano passado, tinha assumido o seu ACTO FINAL, julgando que este pequeno exercício de prosa, tinha chegado ao fim.

No entanto, a exemplos anteriores de outros escritores destas margens de Blogs com alma, mão amiga fez-me chegar um desafio, para continuar o conto, a duas escritas (duas mãos) desta vez e, neste episódio...para quebrar assim o meu FINAL.

Em casa, com um sol escondido...olhando o calmo rio que beija esta capital...tentei compor este texto entrelaçado interessante...



- Tinhas logo de escolher um dia cinzento, para dizeres que nada está bem entre nós...

- Não sejas assim...entende que há diferenças...e não é por tu seres homem e, eu mulher. Há diferenças de entendimento. Fáceis ou não... basta até a nossa separação...são milhares de quilómetros, que anulamos em viagens rápidas de avião, para agudizar o nosso amor...sabes?
Quantas vezes pensamos coisas...e elas nem existem...mas admito que o pensamento é demolidor...e até suponho que muitas das tuas preocupações têm nexo...tens razão...tu amas-me com apego...eu sou mais descontraída...mas interminavelmente tua!
ACREDITA!




- Olha...eu tenho de regressar a Bruxelas...vamos fazer uma pausa...um hiato...ponderar...seja como for...seremos amigos conscientes da realidade.
Até daqui a uns tempos...dás-me um beijo?



Lisboa...um dia de qualquer mês...num ano que não é nosso ...

Perdoa-me este e-mail...

Olá…

Nesta falésia…da vida…com a cabeça entre as mãos…tento segurar um desejo…que se esvai como granulado de areia na mão que não veda a sede de vida. Lembras-te do jogo de criança, que partilhei????

Há sempre uma memória que fica…um momento que nos sorri…um encontro de palavras que se abraçam…um olhar que vai mais além…um sentir que se sente…

Triste, acaricio-me nestas palavras que me saem deste mar memória, deste querer desejo, deste tentar coração. Palavras que te escrevo, com amor…palavras que não gostaria de escrever com este amor triste…mas….o mundo é composto de mudanças…diz o poeta…e um dia ….quem sabe no reino da lua plena…todas as histórias de encantar…farão felizes as crianças… que ainda sonham. Ao menos essas, que sejam felizes…porque a criança que cada um carrega dentro de si…ainda é esperança…menos a minha, que vai ficando órfã da luz que finda no postigo da vida. Talvez , então os adultos acreditem, que muitos sonhos são verdade….e só não foram ainda, porque o tempo solstício do amadurecimento teima em não casar com o tempo desejo.

Porque as nossas diferenças…não existem…a não ser na existência do teu sentir que “fabricas”…


Porque continuas a esconder-te …na tua vontade de criar segredo…como magia de vontade defesa ???


Gostaria tanto….
De tocar a superfície da maresia
Com as minhas mãos sedentas e sentir-te apelo…

Gostaria tanto …
De escrever-te pétalas tinta sorriso
E declamar-te com os teus versos partilha…

Gostaria tanto…
De amar-te murmúrio doce
Na tua entrega paixão querer de ti segredo nosso…

Gostaria tanto…
De dizer-te o que me queres soletrar
No prolongar infinito do teu enleio alma…trajecto redacção…

Gostaria tanto…
De ouvir as tuas canções nossas
E invejar o teu saber dizer de poemas versus coração…

Gostaria tanto…
De me render à tua “luta” apego
E ficar prisioneiro do único amor com o amor que entoas…

Gostaria tanto…
De nada saber e tudo me ensinares
No cultivar sólido de sabores teus…doados nossos…

Gostaria tanto…
De correr para ti…como menino carente
No fim de cada minuto saudade e sorrir no teu abraço abrigo…

Gostaria tanto…
De aprender contigo a moldar a cor do acto
E suspirar no acreditar da certeza página presente…

Gostaria tanto…
Que me escrevesses um poema silêncio
Em grito surdo de respiração suspensa …para lá do possível ...

Gostaria tanto
De nunca ter de conjugar verbo no passado
Porque a tua caligrafia semeia sempre futuro em cada escrita dita…hoje presente…

Gostaria tanto…
De chorar …apenas para apagar vulcões de êxtase
Que me dás em oferta solta almejo de vida sempre a colorir…

Gostaria tanto…
De dizer-te paixão…com um obrigado abençoado…
Porque se Deus existe…tu és o Universo da felicidade…

Gostaria tanto…
De nunca findar este caminhar a dois
Onde exigisses amor com amor…até ao beijo final….

Gostaria tanto…
De dizer tanto…e tanto ouvir…
No tanto que há para viver…no tanto que há para amar…no tanto que há para declamar...

Gostaria tanto…
De não te conhecer…e puxares a minha mão
Para te conhecer e percorrer estrada rio…nascente foz…mar…horizonte…sofreguidão conhecimento…o teu jardim…

Gostaria tanto…
De ouvir a tua verdade…nas verdades que tens…
Bálsamo fidelidade…código único…

Gostaria tanto…
Que a única diferença de sermos…fosse a interpretação
Homem …mulher…nunca o esgrimir de posições …porque somos…

Gostaria tanto…
De acordar…com o teu acordar…
E sentir-me com o teu acordo do acordo que rubricámos…


- Acabo de sair daquele horrível local de trabalho. Estou um farrapo. Cansada...preciso tanto do teu mimo....

Entro no carro...abro o portátil e, deparo como o teu e-mail:


Adoro o que escreves. Parabéns por mais este belíssimo poema de sentires e sentidos.

Olha...meu amor...vamos falar a escrever...estou dentro do carro nesta Bruxelas que nada me diz. Já percebi, falas melhor por escrita...vamos "teclar"?

- Detesto o que discutimos…por razões de amor…falo por mim…


- Luto pelo amor…por nós…não me contento apenas em elogiar o que está bom…confunde-me o que está mal…e por vezes está…sem razão. Fico fulo por isso. E tu não admites ou só muito tarde…dás razão...quando dás...
- Quero muito calma e paz! E por vezes guerreamos injustamente...admito-o e sou culpada, nas minhas tomadas de posição...horríveis...
- Eu também…preciso dela …como de pão para a boca.
- E já percebi que não consigo tê-la… DESCULPA-ME …não te dar a calma que precisas….nem proporcioná-la a ti…
DESCULPA… !!!!!

- É… parece mesmo que não "funcionamos"!
- Como te enganas…"funcionamos"... sim… basta quereres…basta amares…basta seres uma mulher apaixonada…

-Tenho a certeza, que se resolvermos interromper o nosso ‘caso’ de amor bonito, decididamente não voltarei a apaixonar-me por ninguém.
- Não quero interromper ou terminar . NÃO QUERO! O nosso caso “lindo” de amor…deverá vingar. Pode vingar. Basta quereres. Eu quero…
- Verifico que provavelmente não tenho jeito p’ra namorar …
- Não digas isso!!!!! O problema é que tomas atitudes que julgas correctas. Não julgas, que possam ser leituras incorrectas.
E aqui não me venhas com as diferenças. Só somos diferentes no sexo…
- Nota que quando discutimos acabo sempre num estado de nervos, triste, confusa… enfim …
- Também eu…fico assim…quando não entendo. Principalmente quando não entendo a tua postura….por isso me irrito…por isso luto por entender…quero ter a certeza que não sou eu que estou errado…

- Desculpa-me meu amor...!!!!!
- Não peças desculpa. Tenta entender que amar ou assumir amor não é ser diferente e respeitar a diferença. Amar é uma conjugação de esforços. O que eu tenho …o que tu tens…juntando dá amor. Não é nunca…….eu penso assim tu pensas "sei lá"…pensamos que nos amamos e, está tudo bem…
Eu abri-te o meu "segredo"…totalmente. Tu ainda reservas segredos..”parece” que estás a guardar trunfos…e eu não gosto de jogar às cartas…
- Vês como me fazes "ferver" ??? Que jogos tenho???

- Sempre quis dizer-te amo-te... Mas também o desejo… Amar-te foi e é o melhor sentimento que me nasceu ou descobri dentro da minha alma… dentro da minha vida! Por favor…não o “destruas” …não o esqueças, não penses que é invenção…ou exagero ser apaixonado romântico doce…querer-te…amar-te perdidamente… Sê por completo, natural…verdade!
-Olha sabes que horas são??? quase duas da manhã...e tenho o portátil quase sem bateria...
- Inventas sempre desculpas...para te despedires à francesa...
- Neste caso é à belga... LOL
-Como não dizes…eu digo-te: - AMO-TE ! E se terminares este amor bonito…será o primeiro e último que vivo. Quero ser feliz contigo…só contigo …e deixa-te de inventares desculpas…faz um pequeno exercício…quando amamos…não passamos a ser pertença…mas parte integrante em tudo.......TUDO!
- Meu amor...tenho de ir dormir...amanhã tenho de me levantar cedo...prometo, contra tudo e todos, que este fim de semana vou ter contigo... por ti, pelo nosso amor...serão mais sete horas de avião...e falaremos calmamente...olhos nos olhos...AH! quero sentir na boca o pastel de nata da minha gulodice...malvadamente...sempre roubado por ti...Vês...fazes-me "ferver"....
- Beijo muito doce…
- Com muito amor!
Sabes...???? Nunca tinha namorado ao computador!!!!!!



Não foi fácil, conciliar dois pensamentos e duas interpretações do mesmo CONTO.

Verifico agora, muito melhor, o multifacetado compreender da minha escrita.
À mão amiga, que agora se junta e, que deseja manter o anonimato, o meu sincero OBRIGADO!

in- MOMENTOS ( Conto a duas mãos ) - 2010






22 comentários:

Maria disse...

O amor tudo pode, até escrever textos a quatro mãos, ou melhor, vinte dedos...
Quero que saibas que tive de tirar o som para te poder ler. Porque me perco (acho que voo) com o Bolero.
Agora vou ouvir...

Beijo, Outono!

OUTONO disse...

MARIA

Perdoa-me...estás na linha da frente...ainda bem! Chegar aqui e "sentir" o teu comentário...teve dois "olhares" da minha manhã, ainda mal acordada.
Primeiro a surpresa...o dizer simples, mas completo...o humor clássico...e directo...a mensagem doce avaliadora...que satisfaz.
Segundo...a outra surpresa! Já vivi tanto ao som do Bolero de Ravel. Sonhos, sonhos e mais sonhos naquele compasso crescente, onde acariciamos o nosso querer. Também já "voei" com o Bolero...e foi bom e mau...principalmente na "aterragem" com sabor a despedida.
Obrigado, pela tua presença...aparece sempre...o chá é oferta minha...qual é o sabor que gostas?

Beijinho.

Perla disse...

Ficou deliciosa esta continuação de um dia :)

Um gosto ler-te, sempre... sim, sempre te leio.

Bjos

Lady disse...

Nossa! Este "dia" ficou intenso!
E com Bolero a condizer!
Parabéns às duas mentes criativas!

Jinhos

mariam disse...

OUTONO,

Aprecio o teu escrever poético, mas em boa hora que também retomaste a prosa neste teu 'diário...'! Muito interessante a ideia de parceria na feitura do post... ficou cativante este texto, acompanhado da boa escolha musical, o intemporal 'Bolero'!

E o teu livro? Para quando?

Boa semana
um abraço e o meu sorriso :)
mariam

OUTONO disse...

PERLA

nunca digas nunca...mais parece o sentir deste post.

Tinha escrito FIM...e continuei. Desafios são assim, um manancial de surpresas.

Gosto também de te ler.

Beijinho e obrigado pela tua presença.

OUTONO disse...

LADY

Obrigado, por esse dizer amigo.

Beijinho

OUTONO disse...

MARIAM

Blog...é diário. Pena que os afazeres, não me permitam ser e escrever uma presença diária...

Seguramente entendes, o que é um constante agitar laboral, onde os espaços livres são para descansar.

Por vezes, a mente consegue disciplinar-se e "arrancar" momentos onde aliviamos o stress. O caso deste post. Partilhado, como refiro e desafiado. Não me compete fazer a crítica...para isso conto com os leitores; mas gostei do "teclado" a vinte dedos, como referiu a brilhante Maria. E se calhar, vou gostar de partilhar mais vezes.
Oxalá.
Quanto ao livro...não quero fugir à questão. Será...se a alma o ditar.
São necessários muitos requisitos, para uma publicação que me agrade...e agrade. E de todos os pontos fulcrais, há ainda dois ou três, que atrasam a publicação. Mas...gostei da pergunta, melhor do interesse...obrigado!

Um beijinho

MS disse...

Quando nos identificamos com os personagens, somos prendidos pela escrita. Pessoas normais vivendo situacoes extraordinarias.

O "Crescendo" de Ravel,adiciona um novo instrumento a cada estrofe, se reparar. Comeca com um simples clarinete, e termina com uma orquestra em "full blast". Um classico, e uma banda sonora das nossas vidas...

Um conto com potencial para romance.

OUTONO disse...

Gtande MIKE

Como eu gostaria de repousar e passar ao prelo...este e outros romances...da minha escrita.

Tempo...e alguns condicionalismos, impedem-me para já.

Abraço forte!

Lídia Borges disse...

Um prazer esta leitura.

Obrigada!

Ana de Sousa disse...

Gostei do que li, é envolvendo e cheio de querer, talvez paixão distanciada. Gosto do som, faz-me viajar. Acho que está bem escolhido.
Como sou amante da escrita e musica. Não consigo separar uma da outra. Trabalho ao som, abstenho-me confesso do som ao absorver a leitura. Mas quando ele falta sinto-o, muitos parabéns. Que o tempo permita mais e melhores escritas. Abraço

Vozes disse...

Sem dúvida que gosto deste continuar, é cativante esta ideia de escrever prosa a dois, muitos parabéns. Confesso o meu guerrear com a poesia, mas até a que está na continuação do conto eu achei cativante. Quem me conhece como o "Outono", sabe que o que digo é lá do fundo. Abraço.

OUTONO disse...

LÍDIA BORGES

...tentarei não desiludir.

Obrigado, sincero.

Um beijinho.

OUTONO disse...

ANA DE SOUSA.

Foi bom, receber-te neste canto, nesta página, neste escrever.

A música habita-me...e não sou músico. A palavra namora-me e não sou escritor. O amor....é uma palavra com música...que a iliteracia humana, se encarregou de ir apagando da pauta!

Eu ainda luto contra. Até quando não sei...

Beijinho.

mdsol disse...

:)))

Ana de Sousa disse...

Comovente e envolve sua leitura, uma história deveras emocionante com alma e força, vou passando e seguindo o trabalho, o tempo é meu inimigo, mas gosto e este Bolero é fenomenal fico isolada a este sabor encontrando no personagem e penetrando em mim lembranças desejos e fantasias, lindo trabalho. Muitos parabéns
“Gostaria tanto…
De amar-te murmúrio doce
Na tua entrega paixão querer de ti segredo nosso…” estas palavras são divinais, passadas pelo consultório em desabafos de homem. Onde sabe que a mulher é sua, mas que a entrega peca por falta de segredo e de união num só um. Adorei
Ana

cristal disse...

Outono

"Sabes...???? Nunca tinha namorado ao computador!!!!!!"

Lembrei o "Namoro" cantado por Sérgio Godinho, um namoro de outros tempos e sem computadores:
"...Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
eu disse ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar..."

Mas o uso das novas tecnologias, não retira qualquer encanto a este namoro,revelando-se absolutamente enternecedor este teclar amoroso!

Um Abraço
e
Bom fim-de-semana

OUTONO disse...

MDSOL

:))))))))

Apenas um sorriso...um obrigado imenso!

Beijinho

OUTONO disse...

ANA DE SOUSA

Li o comentário...com a mesma sede da escrita do meu post.

Vi...li...entendi...que o post, entrou no teu pensamento.

Fiquei muito bem...como autor, como receptor da tua leitura.

Beijinho.

OUTONO disse...

CRISTAL

...e como lembro essa canção...esse mimo de amor em carta perfumada.

Perdoa-me...acho que exageraste, na comparação. O meu simples escrever...não é igual a esse fabuloso poema...que dancei vezes sem conta...por vezes, sem conta de mim.

Hoje, tudo se tecla...mas tens razão, mesmo neste bater tecla fora...o amor acontece.

Deixo-te um beijinho...e um obrigado pela tua simpatia.

SAM disse...

Adorei, amigo! Não cheguei a tempo do post ao som do bolero...Mas fui lendo, como se estivesse. Porque este conto sugestiona a imaginação do leitor, como se fosse : apaixonante. Uma verdadeira orquestração de mãos, talentos e emoções. Obrigada.

Beijos