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segunda-feira, setembro 18, 2017



PARTILHO COM MUITO GOSTO
Em destaque na Página Cultural - Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.
Grato amiga Lília Tavares.
©LÍLIA TAVARES e JOSÉ LUÍS OUTONO (a publicar)
VESTI O SILÊNCIO DA LUA MINGUANTE
Não sei porque me escondo, ou apago
esqueci-me do verbo e clamei
despi as roupas da saudade de ti
e vesti o silêncio da lua minguante

tenho as algas como cabelos longos
e as ondas vêm à praia cantar a canção que esqueci
nos socalcos das maresias sem mim
nos novelos das nuvens sem o sabor
que as nossas mãos coladas deixaram no vento

revolto-me dentro de mim e canto-te
como se o sussurro te trouxesse
e me embalasse no teu colo macio
que foi falésia e esqueci de olhar
numa cegueira branca e nua.

Caem agora gotas de chuva cremosa
entre olhares como espelhos de certezas
aqui...
...onde apenas reside o incerto...
mas... grita-me o teu ficar...

nada receio, neste tremor de corpos
a noite cai nesta praia de silêncios
apenas a areia para falar deste tempo
que se recusou partir e renascer.

2 comentários:

Graça Pires disse...

Que belo poema, meu Amigo! Li e voltei a ler para entender como vestiste "o silêncio da lua minguante"...
Um beijo.

OUTONO disse...

Muito grato, cara amiga e poeta que muito estimo e admiro!
Um beijo!