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sábado, abril 23, 2016

ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 de ABRIL de 1974



ESFORÇO COMPENSADO
Quase que voltei o escritório do avesso, para encontrar este escrito saudoso. Valeu, a busca, a ansiedade e a lágrima no canto do olho, como a velha canção. Poderia editar, apenas no 25 de Abril. Mas a homenagem, que quero fazer à data e a um grande senhor da minha vida é maior.
ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 DE ABRIL DE 1974
Bem longe, desse Continente de confusões,
entendo agora meu pai, as tuas palavras.
Quando me avisavas dos gritos de dor da António Maria Cardoso
perguntava-me – Uma simples rua traz dores? 
Quando às escondidas ouvias a rádio
e acenavas com a cabeça as verdades ditas, 
perante o meu olhar duvidoso – Sorrias.
Quando esboçavas um pestanejar, 
ao ver-me com uma farda obrigatória,
e dizias em gozo certeiro – Mocidade?
Quando ralhavas comigo, nas minhas manifestações do contra,
e finalizavas – Entende antes que os sarilhos te marquem.
Quando discutiste comigo, face à minha revolta
por este uniforme que envergo, ser obrigado a parar os estudos,
e disseste – Não te esqueças de marcar a folha do livro interrompido.
Quando te falei num namoro louco,
e gritaste - Nunca me dês esse desgosto político.
Quando me viste partir para este inferno colonial,
e com um abraço disseste – Não te esqueças de regressar.
Quando escrevias em código as cartas da saudade,
e eu inocente questionava – Que chatice!
Quando um dia redigiste – Gostava tanto de escrever-te
sem parágrafos programados, e eu respondi – Liberta-te!
Quando um dia sorriste na praia,
e apontaste o mar - Há forças livres! É bonito … não é filho?
Hoje, depois de ler o Comunicado das Forças Armadas,
neste microfone colonialista dou-te razão.
Hoje, os discos censurados foram tocados, 
e percebi o porquê do Carlos Paredes ter o lápis amarelo.
Quando voltar, quero agradecer a tua paciência.
Quando te abraçar, vou dizer – Se for pai, serás a minha certeza.
Hoje entendi as tuas palavras, e cuidados.

JLO – 25 de Abril de 1974
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

domingo, abril 20, 2014

CEGARAM-ME O DIREITO DE VER A LIBERDADE


CEGARAM-ME O DIREITO DE VER A LIBERDADE
- José Luís Outono -

grito ou canto justo
frente ao palco de vozes soturnas
por mentiras encenadas em diálogos sem razão

grito ou canto justo
no seu ruir ao toque de aplausos fiéis 
de espectadores golpeados
na quarentena de direitos e anseios traídos
nas sementeiras regadas pela igualdade

grito ou canto justo
que as primaveras sejam sóis sem equívoco
manual de olhares vida
e um pedaço de terra descobridora
possa ser nascente de rios felizes

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2014
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

domingo, fevereiro 24, 2013

HÁ PALAVRAS ESQUECIDAS




HÁ PALAVRAS ESQUECIDAS  ( a publicar )

há palavras que são portas fechadas
em parágrafos amorfos de senso
clausuras de leituras sem amor
simples passeios do verbo escrever

há palavras esquecidas sem liberdades
manhãs de nevoeiros perpetuados
rostos cavados pelos veredictos alheios
sermões policromáticos e exibicionistas

enredos de povos democráticos
vigilantes do que apenas deixam olhar
gritos e canções que se perdem na luta

há palavras que têm de sair do código
destronar caminhos de luxo arrogantes
desmontar de vez o circo do poder apócrifo

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012  ( a publicar )