My music...

https://youtu.be/IhAFEo8DO2o

segunda-feira, julho 02, 2012

CALENDÁRIO


CALENDÁRIO

Olhei o calendário da tua presença
Com a vontade de ser fim de semana...
E no rasgar lento do cair nocturno...
Vi o eclipse da tua sombra melodia.

Escrevi-te um olhar longo e ameno
Na esperança do folguedo agitado...
No embalo de pensar autêntico...
Polvilhaste a minha sede corada.

São sonhos...meu amor acordado
De tanto perfume de vida comum
Na tangente dos ciclos cruzados...
No infinito livro...hoje diário...

Almejo-te sombra de pecado fiel
Até ao nascer do nosso crepúsculo...
Fujo-te embriagado de suores doces
Na penumbra da saudade útil...

Como é bom...esse horizonte escalvado
No golpeio à indiferença com o certo...
Tropeças-me no entrecho das palavras
E flamejas o doce nosso Vénus...


in "DA JANELA DO MEU (A)MAR" - José Luís Outono - 2011 - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, junho 18, 2012






 AO ACASO...ESCREVO-TE


 ...o vermelho azulou o correr de um rio cheio de saudades, nos traços de um odor "prisioneiro" da margem acolhedora.


 ...as flores declamaram o quebrar de um verso, no som da noite, nas pinceladas de uma chuva provocadora.








 ...os diálogos calados, romperam-se em sonata de tempos inquietos, na liberdade de um torpor corporal pleno.


 ...no longe dos sentidos frios, o mar sentenciou continuar a esculpir luares, onde lábios segredam faróis orientadores e, um adeus é um compasso de segundos no próximo escrever.



 Nota: pequenos excertos de um romance a ensaiar. José Luís Outono - 2012

segunda-feira, junho 11, 2012

VESTI O SOM DO TEU POEMA



VESTI O SOM DO TEU POEMA 

 Vesti o som do teu poema cor
Na fome da manhã conhecida 
Ali no arvoredo despido do céu
No ribeiro crescente do teu sorrir 

Um a um cada frutar do teu desejo
Cedem na viagem das minhas mãos
Aroma do teu resguardo provocador
Nos hinos loucos dos sinos cúmplices

Como é bom ler-te em cada verso
Nos poros lacrimejantes da tua enseada
Até ao brotar do orvalho cristalino

Como é luzente o teu beber sôfrego
De lábios perdidos em mares bálsamo
Como é bom amar quando me perco em ti…




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012

terça-feira, junho 05, 2012

pequenos nadas...



resta o ruído
da
ondulação

o sopro
 do
vento

ainda
o perfume
alfazema



a mudez
 do
olhar

e o velho
 farol
submerge

no mar beijo
 do
nevoeiro



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 ( a publicar )

terça-feira, maio 22, 2012

LIBERDADE CAMPESINA




LIBERDADE CAMPESINA

 Nas águas da tua liberdade campesina
 Rasgo os lábios já secos da clausura
No arar de sulcos periódicos de tortura
 Onde mares cúmplices teimam em não amar

 Em cada flor brigante de vida errante
 Deixo um recado eterno sem retorno
 Em cada vento apátrida do amor que foi
 Na caverna hoje solar sem dimensão

 Nem os cânticos dos tempos solares
 Dilatam as certezas de falas coerentes
 E destroem os épicos dos enredos farsa

 Nos abraços do fado d’ ontem esquecido
 Nasce o pó d’ hoje tormento irrespirável
 E caduca o encontro cruzado de corpos



                                                                                              in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 (a publicar)

segunda-feira, maio 14, 2012

NOVO LIVRO - MAR DE SENTIDOS


Na maré do sonho, perfumo-me ainda de vontades, em palavras "MAR DE SENTIDOS", onde escrevo sorrisos, dores, falas e telas de diálogos mudos deste mundo, em jangadas de olhares soltos, nos desertos da lua, na urbe austera, nos sóis perdidos ou simplesmente no acto de amar um amor, que escrevo e apago, ao som de um piano ora pena atrevida nos mares sempre azuis, ora papel sedento e aberto, onde mergulho .

CATIVO

Bebi no teu sabor solstício primaveril
A fome que matou a invernia deste olhar
De gritar rouco, pelos poros borbulhantes
Navios de cartas labiais sôfregos e sós.

Penetrei ousado no teu júbilo de ser
Senti-o conjugar sonetos enamorados
De flores com jardins de pólenes carnudos
Em leirões de ânsias crepitantes e únicas.

E o suor é perfume que depura o interior
E os olhos são infinitos de cores a explorar
E a boca morde-se em rios de pétalas húmidas.

Sobra apenas o minuto de ontem esfumado
Hoje cativo de juros sem métrica e modelo
Porque escrever é insuficiente para este (a)mar.


in MAR DE SENTIDOS - José luís Outono - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
 Apresentação pública a 19 de Maio 2012


Obrigado, por me ajudarem a aportar nesta ilha de criatividade...onde acredito e vivo.
                                                                                                                                    José Luís Outono

sexta-feira, maio 04, 2012

AFLUENTES DE QUESTÕES


Aquela gota de mar
Inundou-me de paz
E segredou-me poemas rio
No sonho de uma falésia perdida

Pergunto-me porque te escrevo, se o mar me foge e a caligrafia esfuma-se no areal?

Palavras inférteis cansadas
Cartazes feéricos em lamento
Manifestações meros compromissos
Nas ruas com métrica forçada


Pergunto-me porque ainda brinco com os teus cabelos no imaginário do azul, se a cor dos teus lábios é inerte?

Solstícios odores navegantes
Palácios de lezírias sem fim
Flores silvestres guardadas
Em bolsas de existência banida


Pergunto-me porque sonho com o verbo sonhar e, não soletro mais que a primeira pessoa do indicativo presente?

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 ( a publicar )

quarta-feira, abril 11, 2012

SABOR A POESIA



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 (a publicar)

sábado, março 31, 2012

LIVRO




folheio um livro na sede de leituras soltas
e sonho nas páginas do teu corpo mel
onde pontuei tantos parágrafos continuados
em traços de flores labiais carentes do teu cair
nas razões inquietas de mares nunca iguais
no desassossego paz sem capa ou índice
nos poemas mudos de prazer sem medos
nos delírios do teu abraçar verbo
nos olhos sem rima em sorriso doce
nos brotares das raízes interiores gritados
nos substantivos febris de estórias mãos
…o livro esgotou
e a cor do céu tingiu-se de chuva carpida
no apagar da tinta azul permanente
no esboço indefeso de palavras quebradas
…abro um livro para ler em sabores unos
e não consigo passar do capítulo
de uma noite que nunca foi




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 - ( a publicar )

quarta-feira, março 28, 2012

NA PRESSA DO VIVER...





Num mundo de pressas, aquele simples grão de areia, tinha corrido mundo entre oceanos bravos e sóis escaldantes...entre "mares chão" e "espelhos prata" de rios afluentes.

Nunca tinha regateado um estatuto, ou até um simples lugar para estacionar no final da viagem. Perdido no meio de outros grãos, sentia-se um pouco à sorte de um estar sem estar...

Na última maré...um vento mais forte segredou-lhe empurrões e, encontrou uma sombra amiga. A mão desco...nhecida, acariciou-o lentamente, até ao jogo final de o devolver ao mar...

Tinha descoberto a palavra saudade. Saudade de um local algures entre o amor e o perder. Essa fronteira do nada, onde um pequeno grão de areia... faz a diferença do momento... do mundo... da vida...

Nota: pequena reflexão escrita no meio de grãos de areia, onde esculpi com o indicador a palavra - MAR. Estado líquido imenso, estado simbólico presente, versão incompleta de um léxico solto, verbo livre ... por vezes salgado.




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2010 (a publicar)