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sexta-feira, maio 04, 2012

AFLUENTES DE QUESTÕES


Aquela gota de mar
Inundou-me de paz
E segredou-me poemas rio
No sonho de uma falésia perdida

Pergunto-me porque te escrevo, se o mar me foge e a caligrafia esfuma-se no areal?

Palavras inférteis cansadas
Cartazes feéricos em lamento
Manifestações meros compromissos
Nas ruas com métrica forçada


Pergunto-me porque ainda brinco com os teus cabelos no imaginário do azul, se a cor dos teus lábios é inerte?

Solstícios odores navegantes
Palácios de lezírias sem fim
Flores silvestres guardadas
Em bolsas de existência banida


Pergunto-me porque sonho com o verbo sonhar e, não soletro mais que a primeira pessoa do indicativo presente?

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 ( a publicar )

quarta-feira, abril 11, 2012

SABOR A POESIA



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 (a publicar)

sábado, março 31, 2012

LIVRO




folheio um livro na sede de leituras soltas
e sonho nas páginas do teu corpo mel
onde pontuei tantos parágrafos continuados
em traços de flores labiais carentes do teu cair
nas razões inquietas de mares nunca iguais
no desassossego paz sem capa ou índice
nos poemas mudos de prazer sem medos
nos delírios do teu abraçar verbo
nos olhos sem rima em sorriso doce
nos brotares das raízes interiores gritados
nos substantivos febris de estórias mãos
…o livro esgotou
e a cor do céu tingiu-se de chuva carpida
no apagar da tinta azul permanente
no esboço indefeso de palavras quebradas
…abro um livro para ler em sabores unos
e não consigo passar do capítulo
de uma noite que nunca foi




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 - ( a publicar )

quarta-feira, março 28, 2012

NA PRESSA DO VIVER...





Num mundo de pressas, aquele simples grão de areia, tinha corrido mundo entre oceanos bravos e sóis escaldantes...entre "mares chão" e "espelhos prata" de rios afluentes.

Nunca tinha regateado um estatuto, ou até um simples lugar para estacionar no final da viagem. Perdido no meio de outros grãos, sentia-se um pouco à sorte de um estar sem estar...

Na última maré...um vento mais forte segredou-lhe empurrões e, encontrou uma sombra amiga. A mão desco...nhecida, acariciou-o lentamente, até ao jogo final de o devolver ao mar...

Tinha descoberto a palavra saudade. Saudade de um local algures entre o amor e o perder. Essa fronteira do nada, onde um pequeno grão de areia... faz a diferença do momento... do mundo... da vida...

Nota: pequena reflexão escrita no meio de grãos de areia, onde esculpi com o indicador a palavra - MAR. Estado líquido imenso, estado simbólico presente, versão incompleta de um léxico solto, verbo livre ... por vezes salgado.




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2010 (a publicar)

quinta-feira, março 15, 2012

GOTAS D'ALMA


in MOMENTOS - by José Luís OUTONO - 2011

sexta-feira, março 02, 2012

MATINAL


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 (a publicar)

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

AUSENTE




quase brincadeira de menino ávido
o vento baila com as folhas do meu diário
e apaga as palavras que não existem
como um passar indiferente
resto-me na calma do tacto para lá do mar
enquanto tento neste lugar oposto
ouvir as rimas apócrifas que nem ousaste
e os sorrisos que esqueceste por querer
nas carícias que ousas dizer oníricas
nas liberdades evocadas de ti como segredos
na altivez da censura como argumento
no esgrimir pendular do insensato
que o rasgo do teu longe casulo
seja um partir onde te banhes feliz
por aí nesse talvez do teu tempo
porque o meu sempre foi teu
e nunca o avistaste ou sequer ancoraste


in MOMENTOS – José Luís Outono – 2010 – ( a publicar)

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

SIMETRIAS IMPOSSÍVEIS ?



desejei-te um verbo promissor
cresceste no seu conjugar
e esqueceste o presente
em passados nunca sepultados
porque vivos de negações
caminhos cruzados de dores
onde rasgas o cetim
do nosso texto
em páginas ditas separadas
de fugas sem futuros
nem condicionais

o pretérito perfeito
perde o mérito da saudade
em sequelas e inventos
sem eco coerente
nem pontuação que faça crédito
ou términos aliviadores
de exclamações
nunca interrogações
ou leituras gizadas de imagem
onde perguntas...eu respondo
eu pergunto e tu...não respondes



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 - (a publicar)


terça-feira, fevereiro 14, 2012

CABELOS PÉTALAS



tecia os meus prazeres
nas pétalas dos teus cabelos
e sorria aos calores
do teu beijo cascata
apelos ao precipício abraço
como tonalidade suave
a cobrir o pano cru do teu receio
fingido…
palavras alma dos silêncios pausados
eram esquecidas por vontades mãos
nos recantos de leituras únicas
como livro sem ordem
onde cada capítulo fosse nota inicial
onde cada descobrir fosse uma nascente
e o adeus símbolo encerrado no esquecimento
porque amar é um lembrar presente


in MOMENTOS – José Luís Outono – 2012 – ( a publicar )

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

OLHOS MAR





OLHOS MAR

deixo apenas que os teus olhos mar
sejam a calçada do meu seguir
e as tuas mãos nascente
a fonte que alimenta o meu anuir
de um beijo escrito
frente ao infinito corporal
enchente de espuma amor
e sabor de manhãs framboesa

deixo apenas que o teu abraçar
seja o alicerce de um grito mel
raiz de um dizer flor
mesmo nos invernos frios
na lenha que aquece o romper
no segredo dos lábios carícia
nos cabelos de etéreas seduções
no caminho...seguro...onde caminho