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quarta-feira, março 28, 2012

NA PRESSA DO VIVER...





Num mundo de pressas, aquele simples grão de areia, tinha corrido mundo entre oceanos bravos e sóis escaldantes...entre "mares chão" e "espelhos prata" de rios afluentes.

Nunca tinha regateado um estatuto, ou até um simples lugar para estacionar no final da viagem. Perdido no meio de outros grãos, sentia-se um pouco à sorte de um estar sem estar...

Na última maré...um vento mais forte segredou-lhe empurrões e, encontrou uma sombra amiga. A mão desco...nhecida, acariciou-o lentamente, até ao jogo final de o devolver ao mar...

Tinha descoberto a palavra saudade. Saudade de um local algures entre o amor e o perder. Essa fronteira do nada, onde um pequeno grão de areia... faz a diferença do momento... do mundo... da vida...

Nota: pequena reflexão escrita no meio de grãos de areia, onde esculpi com o indicador a palavra - MAR. Estado líquido imenso, estado simbólico presente, versão incompleta de um léxico solto, verbo livre ... por vezes salgado.




in MOMENTOS - José Luís Outono - 2010 (a publicar)

quinta-feira, março 15, 2012

GOTAS D'ALMA


in MOMENTOS - by José Luís OUTONO - 2011

sexta-feira, março 02, 2012

MATINAL


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 (a publicar)

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

AUSENTE




quase brincadeira de menino ávido
o vento baila com as folhas do meu diário
e apaga as palavras que não existem
como um passar indiferente
resto-me na calma do tacto para lá do mar
enquanto tento neste lugar oposto
ouvir as rimas apócrifas que nem ousaste
e os sorrisos que esqueceste por querer
nas carícias que ousas dizer oníricas
nas liberdades evocadas de ti como segredos
na altivez da censura como argumento
no esgrimir pendular do insensato
que o rasgo do teu longe casulo
seja um partir onde te banhes feliz
por aí nesse talvez do teu tempo
porque o meu sempre foi teu
e nunca o avistaste ou sequer ancoraste


in MOMENTOS – José Luís Outono – 2010 – ( a publicar)

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

SIMETRIAS IMPOSSÍVEIS ?



desejei-te um verbo promissor
cresceste no seu conjugar
e esqueceste o presente
em passados nunca sepultados
porque vivos de negações
caminhos cruzados de dores
onde rasgas o cetim
do nosso texto
em páginas ditas separadas
de fugas sem futuros
nem condicionais

o pretérito perfeito
perde o mérito da saudade
em sequelas e inventos
sem eco coerente
nem pontuação que faça crédito
ou términos aliviadores
de exclamações
nunca interrogações
ou leituras gizadas de imagem
onde perguntas...eu respondo
eu pergunto e tu...não respondes



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012 - (a publicar)


terça-feira, fevereiro 14, 2012

CABELOS PÉTALAS



tecia os meus prazeres
nas pétalas dos teus cabelos
e sorria aos calores
do teu beijo cascata
apelos ao precipício abraço
como tonalidade suave
a cobrir o pano cru do teu receio
fingido…
palavras alma dos silêncios pausados
eram esquecidas por vontades mãos
nos recantos de leituras únicas
como livro sem ordem
onde cada capítulo fosse nota inicial
onde cada descobrir fosse uma nascente
e o adeus símbolo encerrado no esquecimento
porque amar é um lembrar presente


in MOMENTOS – José Luís Outono – 2012 – ( a publicar )

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

OLHOS MAR





OLHOS MAR

deixo apenas que os teus olhos mar
sejam a calçada do meu seguir
e as tuas mãos nascente
a fonte que alimenta o meu anuir
de um beijo escrito
frente ao infinito corporal
enchente de espuma amor
e sabor de manhãs framboesa

deixo apenas que o teu abraçar
seja o alicerce de um grito mel
raiz de um dizer flor
mesmo nos invernos frios
na lenha que aquece o romper
no segredo dos lábios carícia
nos cabelos de etéreas seduções
no caminho...seguro...onde caminho





sábado, fevereiro 04, 2012

OLHO ESTE ESPELHO DA VIDA




Olho este espelho da vida...às vezes baço e impreciso
Não reconheço o olhar...tais as rugas e o sorriso só
Não reclamo...nem limpo a imagem...para melhor ver
Nem exclamo o sintoma do velho encolher de ombros .

Caio no recanto da leitura viciadora...no embalo nocturno
De mais um compasso calendário...de mais um sentir
E rasuro contos, capítulos perdidos em páginas loucas
Destinos ...apenas sonhos...sem eco ou alento frágil...

Adormeço no colo da cegueira fadiga...por olhares adentro
Nestes mares de luas perdidas...desencantos parágrafos
Até ao despertar ...quase sismo ou tornado revolto grito...

O tempo esgota-se...cai-se na rotina de olhar o tempo fugir
Já não leio para aprender...nem retenho o poema saudade
Já não ouso o segredo da cor azul ...apenas sei...ficar .



in -MOMENTOS - José luís Outono - 2010 - ( a publicar )

sábado, janeiro 28, 2012

LATITUDES PERDIDAS



percorro as minhas mãos
nuas...
cego-me em barcos perdidos
sem ventos
mares sem limites
latitudes oscilantes
ruínas dantescas...
tenho saudades do teu correr
livre
ao encontro da minha
ânsia
tenho saudades da escrita
do teu olhar
nos cabelos do meu
devaneio
tenho saudades dos teus
seios
como aves carentes
de ancoradouro
tenho saudades do teu
corpo
queda livre sem...
perguntas
apenas velas sulcadas
tenho saudades do teu
ondular
sopro na praia
até ao cair sem forças
tenho saudades das tuas
palavras
sem métrica
sem respiração
naufrágio apneia
labial
tenho saudades
dos desencontros
nos encontros luz
acordo sem leituras
sem tempos ou fugas
tenho saudades e digo-me
sobressaltos
que fecho na vastidão de luares
frios
manhãs que sabem as noites
e a saudades gritos
que fazem ecoar sinos
descompassados
na aldeia do vagueio
fissuras alarmes
sem terra à vista
sem prelos
quase matéria polvilhada
de intempéries
agrestes de poeiras
nos barcos perdidos
das minhas mãos
nuas...
quem sabe até o pó
descer ao verbo



in MOMENTOS - José Luís Outono - 2011

terça-feira, janeiro 24, 2012

TRISTE



Restam pequenos e vagos sorrisos
Nos olhares húmidos e inférteis
Temperaturas ermas e castigadoras
De vitórias inglórias sem repouso.

Caem os céus cansados de nuvens
E os destinos são lugares despovoados
Onde pétalas errantes dançam no vento
E águas d'ontem são suspiros erróneos.

As cartografias do futuro amareleceram
As gaivotas já não trazem mensagens
E os mares são serranias incautas.

O verbo querer é uma fraude no desejo
Os sinónimos de enleio pereceram
Sobram os possíveis desníveis de luz.



NOTA: Excerto de um conto poético ( a publicar )

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2010