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terça-feira, dezembro 06, 2011

FOLHA SEDENTA



Molho-me na chuva amena do teu suor
Como grito louco de folhagem sedenta
Do teu amor carente e ansioso de mim
Enseada do meu olhar adentro desse mar.

Olho-te cego no cair da calma tardia
E o som aprazível do teu gritar tenor
Fere-me em assomos a tela muscular
Como se o dia fosse carrossel de noites.

Escrevo nesses lânguidos  doces encantos
Escrevo e nem leio o que faço na razão
Escrevo apenas movimentos e espaços chama.

Acordo frio e apartado dos teus odores
O palco da nossa noite era um vazio de sonho
E os aplausos de ti, mero granizo cortante.

in TEMPO - José Luís OUTONO - 2011 ( a publicar)







quarta-feira, novembro 30, 2011

NESTE MAR





NESTE MAR

Neste mar areia
Tento escrever respostas
Nas ondas interrogação
Que me banham surdas…

… … …

Nesta areia mar
Tão dócil como incolor
Há caminhos correntes espuma
Conchas coral
Sombras olhares soltos
Para lá da dúvida carícia…

… … …

Neste interiorizar
De querer verdade
Por impulso …
Escrevo lento mas liberto
Com a velha cana
Quase presença simbólica
Amo-te…
Mesmo após…
A desfeita da maré…

by OUTONO - 2010


NOTA: Testemunho de uma escrita marítima no "aparo" da cana abandonada...num conto, algures "escrito" entre marés.




terça-feira, novembro 29, 2011

FADO - PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE - 2011





Ainda nos ecos da declaração do FADO a Património Imaterial da Humanidade, há cerca de cinco meses escrevi este poema, para futura edição de um LIVRO sobre ALFAMA, com fotografias de
 Luis Cristiano Oliveira , António Vieira da Silva
e poesias de minha autoria.


FADO

Deixa-me deitar-me ao teu lado
Ali mesmo ao relento de ti
Tapa-me com o teu xaile
Beija-me com a tua voz rouca
Deixa-me sonhar-te aqui
Agarra-me em todos os teus tons
Acaricia-me no teu refrão...Alfama
E cega-me no teu fado vida !

( a editar) - by José Luís Outono - 2011


NOTA: Embora tardio este reconhecimento...diz o povo -  " Mais vale tarde do que nunca"

segunda-feira, novembro 21, 2011

INFINITO DISTANTE



INFINITO DISTANTE

a água do rio vontade
calou a sede da margem oculta
e o naufrágio da corrente indecisa
sulcou velas varridas de lutas...
nos editais da notícia brado
apenas um título entre sinónimos
o namoro do verbo amar
conjugou-se no infinito ausente...



in - TEMPOS - by José Luís OUTONO - 2011


segunda-feira, novembro 14, 2011

"DA JANELA DO MEU (a)MAR"


Da autoria do escritor ANTÓNIO GANHÃO, dou a conhecer com muita honra, a sua análise sobre o meu último livro de poesia - "DA JANELA DO MEU (a)MAR" -
apresentado em 14 de MAIO de 2011, com a chancela EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA e,
 publicado em PNET LITERATURA 
(14 de Novembro 2011)



É Outono…

O mar sopra-nos carente…


Agora é ele que nos entra dócil


Depois do mergulho d’ontem…




É Outono…


E apenas sei… que é Outono!

Este livro que nos convida a espreitar horizontes de olhares, terra fora e mar (a)dentro, abre-se em universo de poemas que deslizam, sempre, para esse (a)Mar. Da janela do meu (a)Mar, de José Luís Outono, edições Vieira da Silva, 2011.


Sobre a imensidão repousa o nosso olhar. O do poeta é feito de filtros, inquietudes e exaltação. Janela deslizante sobre o mundo em forma de onda que, numa praia, irrompe o seu caminhar como um verso se quebra em rima.


Lágrimas. Lágrimas que se secam em avalanches de dor. Encontra o poeta, no tronco meigo do corpo sólido (de mulher), esse ponto de ancoragem. A poesia de José Luís Outono existe nesse porto de abrigo, tormentoso, de poema silêncio e de mulher por soletrar.


Não o faz em tom sofrido mas de exaltação. Em enleios e odores de mar azul nascente, livro abandonado em registo de alma que fica para trás, sempre que alguém parte e, em louco passo apressado, chega ao cair do pano do teatro da vida. Nesse (a)mar, o pôr do sol é o mergulho da nossa luz.


É no Outono da vida


Que me dispo de cores


E mostro a calma do meu olhar.



No Outono...


Em cada pôr do Sol


Há um cair lento do dia


E um nascer sorriso da Lua


Moldura de noites...nossas!




É Outono...


Cheguei finalmente


A esta paleta de palavras


E brinco com as misturas da terra


Em cheiros únicos...




É Outono...


O mar sopra-nos carente ...


Agora é ele que nos entra dócil


Depois do mergulho d’ontem...




É Outono...


E apenas sei...que é Outono!


Ao escritor ANTÓNIO GANHÃO e, ao "site" PNETliteratura,

uma referência da literatura portuguesa, a minha gratidão (MAR).



José Luís Outono


sábado, novembro 05, 2011

ESTRELAS CADENTES




Na viagem de um correr
As mãos abrem a janela do aroma
E o mar entra nos olhos
Do corpo lezíria âmago
E rega o florir da lua
Em estrelas cadentes de torpor

São preces nos murmúrios
Nas águas férteis do enredo
São suspiros d’alma equilíbrio
Nos socalcos de seios luz
No caminho sem retorno
No amar que nega render-se

by J. L. OUTONO - poema a editar - 2011



dedicatória ao "amor natureza"


sábado, outubro 29, 2011

NO PARAPEITO DO TEMPO


No parapeito do tempo
Olho respostas adiadas
Em notas volúveis
Nas pétalas ... que fogem...

Brinco na nuvem ousada
Com os dedos do teu criar
E entoo prazeres de quedas d'água
Qual relógio sem horas esquecido.

No parapeito do tempo
Olho respostas adiadas
Em notas volúveis
Nas pétalas ... que guardo...



in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2009




terça-feira, outubro 25, 2011

DIZER NÃO AO NÃO !





Hoje celebro mais um infinito de folhagens secas, em terras incultas de partos desejados.

O não sentido ontem, qual texto acórdão de um correr sem carícia, deambula agora no caudal do outro imaginário não, outrora solstício, hoje apenas fita métrica,  fria aferidora do tempo e cerceadora de coerências.

Nem as partilhas se escrevem, mesmo nas memórias inférteis.

Nem as bodas se saciam nos prazeres de édenes agora desertos de estátuas de sal, onde vagueiam enxadas aleatórias.

Escrevo-te o final do final de um livro sem prelo ou edição, apenas casebre de rochas albergue, onde guardo as lágrimas que o meu olhar ocultou.

E as leituras, essas carpideiras de destinos tão salinos, como ocres indesejados, resistem ao não do voltar de páginas apócrifas onde a numeração sequencial, é mero exercício pernicioso de anulações, ou cadeados ferrugentos, onde nem a palavra chave do sim segredo, abre céus ondulantes.

Escrevo-te em queda rasante de desespero e, fecho os olhos no adivinhar do embate frio ao não corporal da falésia adamastor.

Ainda respiro o ar silvado na descida às grutas do silêncio.

Nos milímetros que ainda distanciam o meu quebrar, gostaria de ter asas, para dizer não ao não!


by José Luís OUTONO - 2011




NOTA: Após a apresentação pública de uma obra poética, lancei um desafio aos presentes :
 - DIZER NÃO AO NÃO.Este o meu sentir, em "resposta" ao repto.

domingo, outubro 16, 2011

DESPI-ME DE ATITUDES...



Despi-me de atitudes
Voei no teu olhar terno
E doei-te um manto azul
No frio quebrado
Do teu corpo entregue
Até à alvorada foz.

Desafiaste o colorido
Da quietude embalo
E cinzelaste o momento
Como árvore sôfrega de fruto
Como vereda ansiosa de caminho
Como rio sem margens insaciável.

Hoje aviva-me apenas o pontão
Onde mondaste olhares e carpires
Químicas alteradas corporais
E escreveste nos lábios procura
Quase testamento uniforme
Um beijo hoje não é sinal de amanhã!




in MEMÓRIAS - by José Luís OUTONO - 2011



segunda-feira, outubro 10, 2011

NO CERCO DA VIDA...



No cerco osmose da vida corrente
Ouvi um sibilo de vento lateral
Como pingo de gelo sem retorno
Abandonar-se no casebre solitário.


São ciclos...grita a sereia natural
São dores, reclamo ao seu olhar sol
E as gaivotas cantam indiferentes
E as minhas mãos secas caem sem apoio.


No vidro húmido da janela emotiva
Desenho com o dedo uma vereda sonho
Ontem começada...hoje marco oculto.


Nos campos o verde esconde-se do brilho
O velho e sábio pastor agasalha o rebanho
E apenas as leituras escrevem memórias!


in MEMÓRIAS - TEMPOS PERDIDOS - by OUTONO 2011