My music...

https://youtu.be/IhAFEo8DO2o

quinta-feira, maio 26, 2011

Talvez...





No rio de sentimentos mil sem contraste
Esgoto-me ferido de dor e invernias
Quase perdido no glaciar longínquo
Quase sem respirar um acordar digno.

Conheci o gume da palavra injusta e só
E senti o rasgar do linho artesanal doce
Como doença incurável sem esperança
Como cela húmida sem acordo ou ética.

Olho os campos verdes agora desertos
Minguo no caminhar ocre e vadio soturno
Nas sombras das miragens do além incerto.

Olho o amanhã... quem sabe fora de tempo
Escrevo...TALVEZ... e a caligrafia esfuma-se
Tento reter um sorriso e a alma escurece !



in MOMENTOS - by OUTONO - 20..






sábado, maio 21, 2011

A palavra começava a desenhar-se...



Sabes...porque te escrevo?
Não ! Nunca saberás...melhor, nunca quererás saber !
Mal ou bem...escrevo-te no "ódio" à força interna, que me empurra para o silêncio.Mal ou bem...escrevo-te, apenas para dizer, que não é esta escrita, que quero escrever.
Os dias já não se escrevem e, as noites são fogueiras de medos, na ânsia de um amanhecer sem vontade de escrever.
Apetece-me escrever...um ponto final, no fim da redacção em branco da página do meu (a)Mar.
Mas a tua cegueira injusta, nem esse ponto final seria capaz de ver, interpretar, sentir ou até esculpir a estátua de sal de costas voltada para todos os pontos cardeais, no teu posicionar libertino e estar , por estar...a que chamas... vida!
Escrevo, como "grafíti" no muro de gelo da tua indiferença:
- Que interessa a beleza dos olhos, se não sentem o olhar interior?
Cego-me compulsivamente da perfeição etérea dos mares e parto ao encontro das serranias, onde até a pedra dura e angular é mais doce que o teu peito...



(excerto de um mini-conto...por contar)
in MOMENTOS - by OUTONO - 2011

segunda-feira, maio 16, 2011

14 MAIO 2011 - APRESENTAÇÃO PÚBLICA "DA JANELA DO MEU (a)MAR"

14 de MAIO 2011

No SALÃO NOBRE do MUSEU DA ÁGUA em LISBOA, decorreu a primeira APRESENTAÇÃO PÚBLICA do meu novo livro de POESIA - "DA JANELA DO MEU (a)MAR"
Sala cheia e coração feliz, pelos amigos(as) que destemidamente "fugiram" de uma linda tarde de Sol, para acompanharem este "nascimento" com a chancela EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA.
A todos os presentes e ausentes ( que das mais variadas formas me dispensaram um carinho especial), um abraço grato, por me ajudarem a chegar a bom porto.

Deixo, por aqui, o "poema" dessa tarde inesquecível.


O SALÃO NOBRE do MUSEU DA ÁGUA - LISBOA, onde decorreu o evento.
A janela que se vê ao fundo, foi tema de capa do meu livro, numa foto de minha autoria.


A mesa de apresentação do evento.
O cantautor PEDRO BRANCO, autor do prefácio, José Luís OUTONO, autor do livro e,
ANTÓNIO VIEIRA DA SILVA de EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA.


"Moldura" parcial dos amigos, que assistiram ao lançamento editorial.


O cantautor PEDRO BRANCO, autor do prefácio, na sua brilhante actuação.
Jamais esquecerei a canção criada para o momento...com dedicatória especial...


O pintor ANTÓNIO TAPADINHAS na leitura de um poema
 "DA JANELA DO MEU (a)MAR".


A pintora e poetisa DINA VENTURA, na leitura de um poema
"DA JANELA DO MEU (a)MAR".


O escritor LAURO PORTUGAL, na leitura de um poema
"DA JANELA DO MEU (a)MAR".


A escritora LININHA Cbo., leu um poema
"DA JANELA DO MEU (a)MAR".


FERNANDO FERREIRA,
realizador e apresentador de um dos programas
de maior sucesso na RDP INT. "ABRAÇO DE DOMINGO".


Um gesto que repeti imensas vezes, do qual, me orgulho e, agradeço a exigência...



É vosso!

NOTA: Um obrigado do fundo, à gentileza na cedência das fotos, para aqui testemunhar esta primeira APRESENTAÇÃO PÚBLICA da "JANELA DO MEU (a)MAR".
Sem elas...a "magia" de uma bonita tarde de SOL, perdia-se...


Até já...amigos(as)!

José Luís OUTONO




sexta-feira, maio 13, 2011

Meros novelos de sonhos...



...o teu rosto é agora um longe por ti viajado
Na estrada que alongaste na teima do deserto.

Olho apenas o quebrar do mudo silêncio em vão
Em espaços inertes sem imagens ou solstícios...

Olho e não olho o medo da incerteza voraz
No peneirar dos tempos que já não brilham.

As cores são agora meros novelos de sonhos
E os espaços apertadas clausuras inglórias...

Enquanto o verbo morre na seca da seara verso
O poema já não se conjuga em maresia una...adoece!

in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011


"Enquanto escrevo, não sou eu.
É a minha alma que me dita o que a caligrafia do meu sentir lhe segreda."

in - pensamentos - by OUTONO - 1999

segunda-feira, maio 09, 2011

MONÓLOGOS...



CENÁRIO - Sala semi-escura. Uma mesa e um candeeiro. Uma cadeira. Na parede frontal à boca de cena uma tela gigante a  cores, de cinzentos esbatidos e um granulado prata, em fundo fotográfico de espinhos. Actor, sentado em posição angular para o público...escreve, com o queixo apoiado no punho esquerdo...
O som da escrita oriunda do aparo está ampliado...e, ouve-se um tema de piano em fundo. Entre cada parágrafo, o som de fundo deixa-se de ouvir.

- Acabei de ler o teu conto...e deu-me uma vontade de te partir a "CUCA"...aí sim ...partir no sentido de "escavacar", não de partir ...abandonar.

Serás capaz de deixar a medição de forças? Serás capaz de dizer-te...que "estúpida" sou? Serás capaz de entender que o gelo não conserva...retarda o desaparecer? Serás capaz de não dizer ....que fazes minhas as tuas palavras....de desalento e, que faças das tuas palavras, o mais puro canto d'amor...? Serás capaz ?

Desculpa a linguagem...mas apetece-me atropelar-te de abraços e beijos....e maltratar-te de carícias para te esvaíres  no mais puro amor.

Amar....é "tramado"....difícil..."chato" por vezes. Por isso é puro! Serás capaz de entender, que pequenos grãos de areia....são rombos no casco...de uma vida? Serás capaz de entender que um mícron de bactéria...pode ser uma pandemia?

Serás capaz de utilizar a tua força, o teu interior o teu sentir e, na chama mais quente fazeres acreditar-me que és TUDO... menos o impossível?

Serás capaz de me partir, rasgar...fazeres-me sangrar de vontades, e depurares o nosso amor com o teu APEGO TOTAL?

Amor...confesso-me triste, desiludido...ferido ... Mata, por favor, esse vazio de ligeirezas ....com o teu "devaneio" ( aqui sim) TOTAL e, por assumir. Faz-me acreditar...faz-me sorrir....faz-me ser o SER mais feliz...e tu a maresia mais matinal ! OUSA ferir-me com amor...com alma sorriso....onde APENAS VIVAMOS NÓS. Não é utopia! Nem exagero! Nem onírico! Nem antiquado! Nem estúpido! Nem demolidor! Nem...

Amor....arrasa-me com a tua alma ...até ao meu grito de liberdade...porque extenuado....e, mesmo assim não me largues...como ave de rapina....que "rouba" o que lhe pertence...

Amor...faz-me amor...nem que o tenhas de fazer no acto mais desmiolado...mais apaixonado...mais sólido...mas único!

Amor...rouba-me....mete-me dentro de ti...grita-me paixão...e, certezas....não ligeirezas...isso, são factos que se cimentam, não acasos que se gostam...

Se me amas...até aos confins do amor....SÊ....mulher casulo e, alberga o meu aforro .

TEU, com uma raiva....que nem te conto! 
 Por isso, escrevo-te!




 - Excerto de uma peça teatral
 ( que nunca mais acabo de escrever... ) 
 "MONÓLOGOS DA MINHA ESCRITA"
by - José Luís OUTONO






















domingo, maio 08, 2011

Olhos da cor...talvez...



Ouso... chamar-lhe algures
Tem os olhos cor...talvez
A última gota sentimento
No glaciar da palavra fendida!


in- MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011

sexta-feira, maio 06, 2011

Notícia...



NOTÍCIA... ALGURES NO DESERTO DAS LEITURAS...
"Secou a última lágrima combatente"

Leio a notícia
No destino do inconforto
Nem sei se em primeira mão
Ou apenas rascunho final...
Nem no título acredito
Muito menos no corpo
Da notícia.
Leio apenas como fome
Que dilacera
Sinto apenas como ácido
Que apaga
Soletro apenas a primeira palavra
Como socorro da coragem indelével
E tropeço-me  no esgar de sorriso ferido
Da notícia.
No final escrevo telas com o gelo do sentir
Fujo para a outra parede da cela escura
Perdi a sorte no azar da razão
Sinto o cheiro da terra fúnebre
E deponho a única flor que sempre guardei
No cair d'alma
Da notícia.

in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011



Uma dedicatória a todos os impossíveis da palavra...

segunda-feira, maio 02, 2011

Sou teu...e teu não sou...mas serei...



Mar...porque me sobressaltas neste golpeio?
Porque me seduzes neste jogo de ser e não ser?
Porque me tonificas e retardas o grito de dizer?
Porque me alagas e secas neste simples correr?

Digo-te...sou teu e teu não sou...mas serei
Digo-te... lavro-te em feridas de arado doce
Digo-te...corrompo-te nas marés que me libertas
Digo-te...ouso-te...abraço-te...e perco-me!

Por uma vez...apenas uma vez escreve-me em espuma
Na cor do iodo e depura-te nesse sargaço que dói
Liberta-te...grita-te...e não mintas no nosso areal!

Ventos de luas passaram nos faróis da coragem
Catarses em adição...emocionaram os olhares secos
E a neblina tímida apenas segredou...é o fado!

in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011

domingo, maio 01, 2011

Para TODAS AS MULHERES que são e, merecem ser MÃES...


Um dia sem saber perdi-me d'amores
Saboreei a flor da mulher semente
Disse-lhe um grito e ela sorriu na dor
Como fogo perpétuo de sangue uno.

Um dia pedi-lhe para crescer no mundo
Respondeu-me mimos suaves e perdões
Amou-me nas lágrimas e nos solstícios
E aforrou vidas, no meu constante lutar.

Um dia nos dias de todos os dias sol
Os olhinhos do sono nascente...fugiram
As mãos cairam e os lábios gelaram.

Um dia nos dias de todos os dias luar
Perco-me no colo do seu beijo aberto
E rego o doce descanso com saudade!


in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011

terça-feira, abril 26, 2011

Abril...sentidos mil



Abril tem um sabor especial para mim.

Há um Abril, em cada janela do meu correr. Neste mês de Abril, escrevi uma fuga para o alto da montanha, só para ver o florir do almejo, que poderei chamar loendro...

Obrigado viajantes da palavra, carregadores de emoções, fazedores de revoluções mil...por me lembrarem Abril. Mas há um Abril, que não consigo escrever, há uma frase que não consigo ouvir, há uma clave de sol inaudível...um tempo passado, que não navega presente e, Abril está quase no fim.

No mar "ciano", por onde escrevo...apenas vejo a carícia à falésia, onde repousa o banco que alberga o fossil rejeitado, na espera da acrobacia da gaivota perdida, no beijo da sétima onda e, diga apenas:

-Deixa-me molhar os lábios nos oceanos dos teus pensamentos para anular a minha cegueira disforme de flores sem odor.

O próximo mês, talvez seja já Outono e, nem o calor senti...do rio humilde, da vontade margem...da foz que faz amor com o mar.



in MEMÓRIAS - by OUTONO - 2011