Num mundo de pressas, aquele simples grão de areia, tinha corrido mundo entre oceanos bravos e sóis escaldantes...entre "mares chão" e "espelhos prata" de rios afluentes.
Nunca tinha regateado um estatuto, ou até um simples lugar para estacionar no final da viagem. Perdido no meio de outros grãos, sentia-se um pouco à sorte de um estar sem estar...
Na última maré...um vento mais forte segredou-lhe empurrões e, encontrou uma sombra amiga. A mão desco...nhecida, acariciou-o lentamente, até ao jogo final de o devolver ao mar...
Tinha descoberto a palavra saudade. Saudade de um local algures entre o amor e o perder. Essa fronteira do nada, onde um pequeno grão de areia... faz a diferença do momento... do mundo... da vida...
Nota: pequena reflexão escrita no meio de grãos de areia, onde esculpi com o indicador a palavra - MAR. Estado líquido imenso, estado simbólico presente, versão incompleta de um léxico solto, verbo livre ... por vezes salgado.
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2010 (a publicar)

