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domingo, abril 22, 2018

ANTOLOGIA POÉTICA «CONTINUUM»


                                             ANTOLOGIA POÉTICA «CONTINUUM»


No passado dia 07 de Abril de 2018, na emblemática Livraria FERIN em Lisboa, foi apresentada esta Antologia Poética, que conta com nove nomes:
- Francisco Valverde Arsénio
- Lídia Borges
- Isabel Cabral
- João Carlos Esteves
- Gabriela Rocha Martins
- João Morgado
- José Luís Outono
- Rita Pais
e Graça Pires
A obra com a chancela da Poética Edições, conta ainda com pinturas de Luís Liberato e fotografias de Soledade Centeno.
O prefácio é da autoria de Gisela Garcias Ramos Rosa e posfácio de José Gabriel Duarte.
A coordenação desta obra, esteve a cargo de João Carlos Esteves e José Luís Outono.

segunda-feira, setembro 18, 2017



PARTILHO COM MUITO GOSTO
Em destaque na Página Cultural - Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen.
Grato amiga Lília Tavares.
©LÍLIA TAVARES e JOSÉ LUÍS OUTONO (a publicar)
VESTI O SILÊNCIO DA LUA MINGUANTE
Não sei porque me escondo, ou apago
esqueci-me do verbo e clamei
despi as roupas da saudade de ti
e vesti o silêncio da lua minguante

tenho as algas como cabelos longos
e as ondas vêm à praia cantar a canção que esqueci
nos socalcos das maresias sem mim
nos novelos das nuvens sem o sabor
que as nossas mãos coladas deixaram no vento

revolto-me dentro de mim e canto-te
como se o sussurro te trouxesse
e me embalasse no teu colo macio
que foi falésia e esqueci de olhar
numa cegueira branca e nua.

Caem agora gotas de chuva cremosa
entre olhares como espelhos de certezas
aqui...
...onde apenas reside o incerto...
mas... grita-me o teu ficar...

nada receio, neste tremor de corpos
a noite cai nesta praia de silêncios
apenas a areia para falar deste tempo
que se recusou partir e renascer.

domingo, abril 02, 2017

MERAS COORDENADAS




MERAS COORDENADAS

-José Luís Outono-
(excerto)


não sei onde começam as amarras do tempo
nas margens ansiosas de pautas esgrimidas
sei apenas dos caminhos gravados
em redacções sem pontuação
meras coordenadas ordinárias de rimas obsoletas
onde o relógio é o único comandante
dos rios quase secos
o amor regozija-se agora
apenas com o sorriso das raras memórias cíclicas
espelhadas nas pedras orladas de limos secos

JLO
in «MOMENTOS» - 2017
( todos os direitos autorais reservados - SPA 106402 )

sábado, novembro 26, 2016

NOVO LIVRO «AS VOZES DE ISAQUE»


Com a chancela POÉTICA EDIÇÕES, este livro é uma co-autoria com os poetas ANA PAULA MATEUS, GRAÇA PIRES, JOSÉ LUÍS OUTONO, LÍDIA BORGES, LUÍS FILIPE SARMENTO, MARIA ISABEL FIDALGO, ROSÁRIO FERREIRA ALVES, RUI MIGUEL FRAGAS e VIRGÍNIA DO CARMO.
O projecto nasceu de um desafio do escritor PAULO M. MORAIS, aquando do lançamento do seu Romance «O ÚLTIMO POETA»
Dez poetas fizeram uma reflexão sobre o livro, e nasceu este conjunto desafiador.

domingo, outubro 30, 2016

APRESENTAÇÃO DO NOVO LIVRO «TRÊS MARES»


No passado dia 29 de Outubro de 2016, decorreu na CASA ALLEN - PORTO a primeira apresentação pública do meu novo livro «TRÊS MARES», com a chancela INSUBMISSO RUMOR , prefaciado pelo escritor João Carlos Esteves.
O amigo, escritor e ex-camarada de tantas lutas e desafios António Bondoso, honrou-me com o seu olhar crítico, que partilho :


- "TRÊS MARES

Há mares em que é preciso navegar durante a vida. E sem amarras. 
Em liberdade plena e em perfeita sintonia com o balanço das águas. 
Como acontece com José Luís Outono, neste seu recente livro Três Mares, editado pela “Insubmisso RUMOR”. 
Um dia, enquanto esperava que pudessem arranjar o sistema, foi à pesca. Não sei o que pescou e nem tenho mesmo a certeza de que tenham conseguido arranjar o sistema. 
Mas voltou. Preocupado…mas voltou. Para nos brindar com uma obra de excelência. Em Três Mares, o autor acrescentou mais um patamar de beleza à sua escrita poética. Firme, desafiante e corajosa. Por isso, diz, “Reservo o direito/ de sonhar horizontes impensáveis”.
Um abraço camarada José Luís Outono.
António Bondoso
Out de 2016."

terça-feira, junho 28, 2016

TEMPOS



TEMPOS



- José Luís Outono -
(excerto)

...nos claustros dos tempos fugidios, leio sóis indefinidos de palavras referendadas.
Os boatos correm a maratona da confusão, enquanto os mapas de "excel" sucumbem às agitações demolidoras das cotações.
As vozes do pró e do contra confundem-se na margem ténue de uma percentagem, quase ilegível.
Curioso ouvir uma pergunta inteligente de uma jornalista inglesa, a um dos promotores da saída (dita) airosa:
- Perante o voto decisório, qual é o Plano?
- Não há ... não temos.
O estúdio silencia-se e a emissão afoga-se num intervalo imprevisto.
"God save the memory"... li há dias num cartaz promocional de uma farmácia à beira do Tamisa.


JLO
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sábado, abril 23, 2016

ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 de ABRIL de 1974



ESFORÇO COMPENSADO
Quase que voltei o escritório do avesso, para encontrar este escrito saudoso. Valeu, a busca, a ansiedade e a lágrima no canto do olho, como a velha canção. Poderia editar, apenas no 25 de Abril. Mas a homenagem, que quero fazer à data e a um grande senhor da minha vida é maior.
ESCRITO NA TARDE DO DIA 25 DE ABRIL DE 1974
Bem longe, desse Continente de confusões,
entendo agora meu pai, as tuas palavras.
Quando me avisavas dos gritos de dor da António Maria Cardoso
perguntava-me – Uma simples rua traz dores? 
Quando às escondidas ouvias a rádio
e acenavas com a cabeça as verdades ditas, 
perante o meu olhar duvidoso – Sorrias.
Quando esboçavas um pestanejar, 
ao ver-me com uma farda obrigatória,
e dizias em gozo certeiro – Mocidade?
Quando ralhavas comigo, nas minhas manifestações do contra,
e finalizavas – Entende antes que os sarilhos te marquem.
Quando discutiste comigo, face à minha revolta
por este uniforme que envergo, ser obrigado a parar os estudos,
e disseste – Não te esqueças de marcar a folha do livro interrompido.
Quando te falei num namoro louco,
e gritaste - Nunca me dês esse desgosto político.
Quando me viste partir para este inferno colonial,
e com um abraço disseste – Não te esqueças de regressar.
Quando escrevias em código as cartas da saudade,
e eu inocente questionava – Que chatice!
Quando um dia redigiste – Gostava tanto de escrever-te
sem parágrafos programados, e eu respondi – Liberta-te!
Quando um dia sorriste na praia,
e apontaste o mar - Há forças livres! É bonito … não é filho?
Hoje, depois de ler o Comunicado das Forças Armadas,
neste microfone colonialista dou-te razão.
Hoje, os discos censurados foram tocados, 
e percebi o porquê do Carlos Paredes ter o lápis amarelo.
Quando voltar, quero agradecer a tua paciência.
Quando te abraçar, vou dizer – Se for pai, serás a minha certeza.
Hoje entendi as tuas palavras, e cuidados.

JLO – 25 de Abril de 1974
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sábado, março 19, 2016

TECELAGENS INCOMPLETAS



TECELAGENS INCOMPLETAS

há cores simples na tela de um olhar

encontros casuais entre a metáfora e o desejo

sinopses de páginas vividas

tecelagens incompletas

enquanto os sóis assinarem o ponto de cada manhã

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

terça-feira, fevereiro 23, 2016

INQUIETAÇÕES


INQUIETAÇÕES

- José Luís Outono -
(excerto)

vivem-se desfiladeiros incoerentes
onde sopram discursos inquietantes
definições assimétricas de rascunhos
ditos documentos

procuro no dicionário pela palavra esperança
e leio no rodapé de um elo definidor
fechado temporariamente para balanço

na reserva de cidadania
de uma passadeira pedonal
hesito em passar para o outro lado
apesar do gesticular das sereias
do condomínio da conveniência
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

quarta-feira, janeiro 20, 2016

MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS




MOMENTOS DE FILMAGENS INTERMÉDIAS
- José Luís Outono -
(excerto)

o argumento escreveu-se
na tangente de um globo ainda respirável
a abertura focal delimitava enquadramentos
como meros traços na arquitectura do sonho quimérico
o interior reclamava alvíssaras
no encontro de cada equação a duas incógnitas
os lábios esboçavam meros símbolos pactuais
em planos orlados com olhares ainda idilistas
enquanto o mar trajava cores assimétricas
na sedução à gaivota ousada
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

segunda-feira, janeiro 04, 2016

MIRADOUROS INCONFORMADOS


MIRADOUROS INCONFORMADOS
- José Luís Outono -
A exaustão de momentos em rasgos da vida, causa sempre uma estranheza nas restantes atitudes, que ponderamos.
Novos anos, novos votos. O costume de um caminho grisalho ainda resistente. Mas, a realidade dos anseios, ou das esperanças, ou até das leituras envolventes, permanece num marasmo de interrogações, ou factos sem volta a dar, como dizia um treinador de futebol, quando explicou que "tar" à frente é melhor que "tar" atrás.
Lentidões, que suplantam a velocidade do parado. Culpados, sem culpa, maus tratos, que são apenas quedas naturais de esquecimentos temporários, arrastamentos incólumes de governações sem visão, o eterno fluir de dispositivos musculados (expressão policial) das autoridades, em defesa do santo futebol, o grito do miserável, que esbanja a crédito sem regras, a comunicação social imparável no pior, para vender o melhor, as perdas como atenuantes de esquecer outras notícias, locuções arrastadas em soluços de enviados, pouco especiais, os "chicos espertos" de um povo, que não respeita a segurança rodoviária, os actores acidentais de barriga abastecida de bom marisco, que em locais públicos, gritam e comentam as posições sexuais da acompanhante, entre histórias de casas para matraquear virgens, em voz de garrafão, como se fossem os extra-terrestres do poder das estrelas. Um turismo, onde somos milionários, a apodrecer nas regras do deixa andar, um poder local que governa dentro de gabinetes, sem olhar aos estragos ...denunciados pelos zelosos munícipes. Mas multipliquem-se os buracos das quedas, os entupimentos viários, os "grafiteiros" candidatos a realizadores do YouTube, e os meliantes que matam, por meia dúzia de euros, polícias aposentados, que ainda são exemplo de intervenção.
Valha-nos a vitória do clube de Alvalade ( com quem simpatizo), e dos vermelhos, que foram alcançar a vitória ao Vitória, com um grito do Vitória. Sim, isso é que é importante, nas horas das notícias, para justificar, porque pago tão caro a televisão, a Net, e o telemóvel. Os milhões são necessários para vestir os meninos da bola, enquanto os meninos da rua, enfrentam o frio com a pele nua. Enquanto morrem pessoas, com a poupança nos horários de atendimento, com a falta de médicos e enfermeiros, caminhantes na ida para outros recantos onde sejam dignamente pagos ... mas para esses nem milhares, nem milhões, apenas reuniões aferidoras de tempos, em que o tempo tem de esperar.
Viva o futebol dos contratos milionários, com enchentes sem crise. Viva as telenovelas com argumentos e representações da treta.Viva os segredos da quinta, com burros como comentadores (inédito). Viva o "chico espertismo" no geral de ser notícia, sem enredo.
Cheguei à conclusão, que tenho de voltar para a escola e tirar umas cadeiras destes estranhos mundos do desenrasca.
Claro, que há muitas honrosas excepções, do que referi .
JLO
in MOMENTOS - José Luís Outono - 2016
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

sexta-feira, dezembro 11, 2015

1º. Salão de Natal de Artes


Sintam-se convidados. Será uma honra!

sábado, novembro 28, 2015

POR VEZES



POR VEZES


- José Luís Outono - 
( excerto)


por vezes apetece inverter as cores

num esperançar de ver receios abraçar coragens


e os medos sorrirem como separadores dialogantes

nas muralhas bélicas da loucura sem definição


in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015
(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

segunda-feira, setembro 28, 2015

MARÉS



MARÉS 

- José Luís Outono -
(excerto)


gosto tanto de respirar-te

sentir o teu iodo ameno
e segredar-te marés d'ontem
navegações d'hoje
e aguardar-te ansioso amanhã

não
este devaneio ninguém me rouba

ou encena em cláusulas impostoras
redigidas com olhares cegos de obediência
vulgo teimosias de um domar encoberto


gosto tanto de respirar-te

e sentir-te livre
como a minha vontade
de acordar sem sobressaltos

in MOMENTOS - José Luís Outono - 2015

(ao abrigo dos direitos de autor - S.P.A. 106402)

terça-feira, agosto 25, 2015

DESCULPA


Desculpa...
Queria escrever-te uma carta neste final de dia, onde rompesse os receios e escrevesse amor, com um sorriso reconfortante.
Mas não sou capaz.
Nesta mudança de parágrafo, olho para o Mediterrâneo e vejo sepulturas aquíferas, nas águas de fugas sem destino.

Vejo crianças com choros questionadores, sem brinquedos para partilhar e quantos colos sem serem pertença directa.
Vejo mulheres e homens, que buscam o lado natural de um viver, e lutam numa guerra indefinida, sem coordenadas, ou sóis rubricadores de possíveis jardins.
Vejo esforços, mãos, discursos, apelos...mas muitas indefinições que me boicotam um final de dia tranquilo.
Vejo tanto amor esbanjado, países e lavagens nas encostas de torres luxuosas, pontapés que erguem ouros, diamantes, estruturas, páginas e comunicados acesos, quando simples colheres de pau, alguns tachos, alguma fruta, algumas pescas perdidas, algumas hortas floridas e simples nascentes, eram suficientes para regar a fragilidade de quem foge, para tentar morrer um pouco mais tarde. Porque no deserto do nascer deles, o verbo viver é um inútil esforço.
Desculpa meu amor. Hoje não consigo colorir o final do dia, quando vejo mundos feridos de irregularidades, entre guerras obscuras e contos de almejos vendidos nas praças dos interesses ao desbarato da conveniência.
Custa-me ver estas contabilidades de milhares salvos, não sei de quê, contra milhares de mortos, não sei porquê.
Sei que amanhã o cenário vai ser o mesmo...oxalá como realizador me enganasse no enredo e abrisse um novo plano sedutor.
Desculpa, hoje as minhas palavras são preocupantes. Há matemáticas, que não entendo. Teorias que não vislumbro. Filosofias muito duvidosas. Magias denunciadoras. Marketing maldito... do venha a mim, porque os outros terão de esperar.
É este o mundo, que vamos deixar aos nossos filhos e aos nossos netos?
Será que fazer amor, ainda é um acto lógico de crescimento, desenvolvimento e sustentabilidade...ou será apenas um mero exercício dos tempos da maçã de Adão e Eva, para não esquecer...e depois logo se vê.
Desculpa meu amor, mas hoje mergulhei em águas sofredoras e estou muito pensativo. Lembras-te? As mesmas águas onde já mergulhámos felizes, são hoje cemitérios ou corredores de sofrimento. Impossível !
Desculpa.


José Luís Outono
( ao abrigo dos direitos de autor)

quarta-feira, agosto 19, 2015

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA




DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA 

AGOSTO - 2015
Cúpula da Basílica da Estrela
LISBOA

segunda-feira, julho 27, 2015

PÉTALAS PRATA





Pétalas prata


Cumpliciei o teu anoitecer, lânguido tormento da saudade, que exarou o regresso à
nascente.
Nas pétalas prata do teu dormir, cuidei do envolver suave até ao sopro do beijo voo.
Os deuses das tuas metáforas bebem agora a espuma do sigilo, em ânsias regimentais
únicas.
Gostei da comoção táctil do teu segredo e confidenciar o meu ousar numa loucura
mergulho, que elegeste.
Bem-hajas sibilo natureza, por abrires as portadas da minha leitura salina.


in MARGINÁLIA - col. poesia
José Luís Outono - MAIO / 2015

edita-me.pt

domingo, junho 21, 2015

RECENSÃO LITERÁRIA da ILUSTRE ESCRITORA - Dra. GRAÇA PIRES, SOBRE O LIVRO «MARGINÁLIA».




«MARGINÁLIA»

ANTOLOGIA DE POEMAS, COM OS AUTORES
CECÍLIA VILAS BOAS, EDGARDO XAVIER, FRANCISCO VALVERDE ARSÉNIO,
JOÃO MORGADO, JOÃO CARLOS ESTEVES, JOSÉ BRITES INÁCIO, 
JOSÉ GABRIEL DUARTE, JOSÉ LUÍS OUTONO
RITA PAIS e TEREZA BRINCO OLIVEIRA

A escritora já premiada Dra. Graça Pires, comentou:


MARGINÁLIA
(Antologia)

Poetas são vozes que não desistem de anunciar os tesouros
que se escondem no barro da nossa condição.
Miguel Torga, Diário V, 1951



Venho apresentar uma antologia. Dez poetas. Vozes partilhadas a pretexto da poesia. Apoiadas na força e emoção das palavras e, talvez, na construção de uma memória.
Vou falar de poesia. Manuel Gusmão dir-me-á:
Incerta chama
e desde logo esse fragmento da língua estremece e se desdobra”[…]
Dez poetas. Dez vozes singulares. Uma antologia.
Marginália
Poemas que se querem margem. Poemas à margem das regras, da moda, dos preconceitos. Poemas na margem dos livros que escreveram. Na margem. Como se cada poema fosse um rio de água doce e cada verso desejasse saciar a sede dos leitores. Como se cada poeta fosse um trovador itinerante a ocupar as margens com um aceno no olhar. Como se, ao poema, nada mais fosse possível do que a misteriosa realidade da sua concepção como linguagem poética, com tudo o que a define e a reinventa.
Permiti-me tomar a antologia como a transparência de um dizer que produz imagens com diferentes formas.
Vagueei por ela com a promessa de me encontrar nos temas onde se demoraram os meus olhos.
Procurei entender a particularidade de cada poeta, de cada poema, e percebi que o equilíbrio da apresentação de uma antologia deste género, em que o título que a engloba faculta uma clara liberdade aos autores, me permitia agregar alguma convergência temática onde concentrei a minha atenção. É no contexto dos temas Amor e Silêncio que comento cada poeta.
Dos ecos da tradição lírica portuguesa surge-nos sempre o Amor como um ritual a que a poesia não é alheia e também o Silêncio, porque o poeta é um persistente desafiador de silêncios. Não para calar o que sente, mas para encontrar a voz com que potencia a sua expressividade. Ao ler estes poetas, lado a lado, destaco de forma aleatória e sucinta o seguinte:

Rita Pais fala-nos da sedução do amor. O corpo inteiro numa entrega. […] Quero no meu corpo/ os movimentos, ondulantes/ que contorcem o teu/ na voracidade desta música/ felina/ entranhante/ estonteante/ ardente […] (p. 142). É o rumor dos sentidos a fervilhar no sangue.
Em contraponto, a autora quer que o silêncio se quebre. […] Diz: Preciso da palavra de precioso veludo/ pronunciada num passado ainda presente. […] (p.135). A autora quer um silêncio habitado por outras lembranças. […] E continua: Expulso todas as palavras gastas/ que me esgotam./ Invento um léxico paralelo/ que me pacifica. […], (p.136). Ela, a autora, quer um silêncio que a deixe ouvir a vida.

Com Francisco Valverde Arsénio nos questionamos […] Será o amor uma emoção perpétua ou um estado inabitado onde se mendigam as paixões? […] (p. 49). O poeta sabe, como todos nós sabemos que o amor não se define. Sente-se. Conquista-se. Ganha-se e perde-se.
Sabe também que o silêncio é um vínculo entre a imaginação e a memória. E diz: Tenho pressa em libertar este poema clandestino, sinto-o agitado neste silêncio profundo, neste hiato vazio, neste espaço sem som. […] (p. 52). É um poeta que anseia uma rua larga para os seus poemas. Talvez isso justifique a sua prosa poética.

Nesta mesma linha de reflexão podemos ler José Gabriel Duarte. Não sei justificar/ mas existe amor. […] Talvez o amor/ não se explique/ seja dogma/ ou talvez sexto sentido/ itinerante. […] (p.108) O poeta a mostrar-nos a sua perplexidade sobre uma sensação tão complexa, e a estabelecer a analogia entre a emoção e o racional.
Contudo, ele tinha um silêncio que teimava em habitá-lo e [foi] contando os dias/ esquecendo os anos/ marcando os instantes/ saboreando as horas […] Depois [procurou] entre as folhas soltas/ a página ainda dobrada/ onde o poema nasceu/ e o verso cresceu. / Quando as palavras/ começaram a falar. (p.110-111). O silêncio é aqui a trama onde se tece a fala do poema.

Há quem opte por fazer do amor uma escrita de corpo inteiro. […] Corremos de mãos dadas até ao rio/ como uns loucos apaixonados […] (p.19) diz-nos Cecília Vilas Boas, adiantando noutro poema: Inteira, despida me entreguei/ Quase morri de amor…[…] (p.23) No universo aqui construído há lugar para o sonho associado ao prazer amoroso. E o silêncio entrelaça esses sonhos como uma forma de abrir as portas às palavras luminosas. Absortos no silêncio/ escutamos no vento a voz das nossas almas […] (p. 21) e diz ainda […] Lavrei em mim vales profundos, encantados/ e num silêncio volátil, tão meu,/ quase alcancei o etéreo querer, tão puro, sonhado. (p. 22). Uma poesia que é musical neste encantamento.

José Luís Outono diz-nos, em dois versos apenas, o tanto, o quase tudo que o amor envolve. Tentei escrever amor, com as letras mais simples./ Consegui apenas uma tormenta de conjugações. (p. 122). É o sentimento do amor tão complicado quanto apetecido e redentor.
Mas o poeta usa também a ferramenta da escrita para mostrar que não é uma voz passiva sobre o que acontece à sua volta e faz do silêncio um grito […] ouviram-se rasgares/ confusos de palavras, como flores secas/ de um deserto sempre fútil, ele nos diz (p.126). E porque perturbante é o mundo, prossegue […] Murmuram-se silêncios em traços perturbadores […] (p.128). E as cartas do louco baralho continuam a ditar sorte e cortes, como a semente daninha, que tem direito a viver, argumentam […] (p.123). Um silêncio onde se encontram pressentimentos e alarmes do coração deste poeta atento ao rumor dos dias.

Há uma escrita onde o amor apenas se lê nas entrelinhas, ou nos monólogos dialogados, apostando no poder sugestivo das imagens. É a de João Carlos Esteves que o faz em poemas contidos como este: […] paixão é um instante/ que percorre as veias e se aloja/ nas raízes do meu silêncio. (p.65). Silêncio, esse, que tem que ser demorado para conter o brilho do olhar. Podemos lê-lo: Não me fales das gotas da chuva tombada no solo…/ tenho as mãos áridas/ e alma dormente na secura do silêncio […] (p. 63) ou ainda: Já só me encontro nos silêncios/ de paisagens vazias de vozes e rostos […] (p. 64). Como se o autor riscasse na voz um silêncio de fuga.

José Brites Inácio apenas no seu poema Amor guerreiro nos revela: […] apetecer-me-ia escrever uma carta de amor/ como as que amadurecem damascos […] (p.92). Um poema, todo ele, de amor e a não ignorar a dimensão afectiva do quotidiano. Atento à Natureza e à Vida pede-nos silêncio dizendo: Tenho visto o silêncio, escrito por aí, recitado além/ e também dançando sem regra sob magnólias floridas […] Inebriei-me desse silêncio côncavo que me não largou mais,/ limpei à pressa duas lágrimas intrigadas de abandono […] (p. 94-95). Senti a nostalgia do poeta, mas gostei de ler noutro poema: Para mim e para a minha janela são as aves que trazem os dias […] (p. 96)

Existe um erotismo sóbrio nas metáforas de João Morgado. Logo no primeiro poema podemos ler […] Vem, seduz o meu corpo/ sorve a haste sob o lençol/ […] e verás o meu corpo/ erguer-se aprumado ao sol/ mostrando a força da espiga. (p. 77). O sentido das palavras a desvendar intimidades, desnudando-se sem hesitações. Mas o poeta vê o silêncio como um ritual de acertos e desvios. No seu poema intitulado Silêncio, diz-nos: Há o silêncio dos que se encontram./ Há o silêncio dos que se afastam./ Não, por favor, nada digas…/ Se chegas, não preciso de palavras/ Se partes/ de que me servem as palavras? (p.83). Um silêncio onde tudo é, simultaneamente, sede e fonte, começo e desenlace.

No mesmo rumo de um amor sem margens está Edgardo Xavier. Ouçamos: Toco-te/ vibro na promessa/ de um amor pleno/ e gemo a sedução/ do teu corpo nu […] (p. 39) ou no belíssimo verso Só o coração percebe a tua mão estendida […] (p. 40). Dois excertos de uma amor-paixão feito prece e dádiva. Na maturidade dos seus versos, procura pelo silêncio, o trilho por onde se enredam os afectos. Sei do raspar das palavras/ por todos os sentidos […] (.p. 35) refere, porque ele [sabe também que] caminhos sem nome/ Atravessam a febre das plantas e o hálito da terra. […], p. 37. Muito bela também esta poesia.

Teresa Brinco Oliveira desdobra-se no interior de si mesma como se amar fosse o seu lado oculto, título que dá ao poema que cito: […] Sou essa que tem face mas sou a outra também./ […] Sou o imaginário do que não digo, o mistério do que desejo […] (p. 151). É um ser na duplicidade do sentir. A tentar desocultar as sombras do olhar. E solitário me soou o seu silêncio quando diz Soçobram memórias orvalhadas/ do tempo em que os deuses em mim colhiam flores […] p. 153 e mais à frente: Longe vai o tempo e a demora não traz a luz […] (p. 155), É quando me silencio que renasço […] (p.159). São versos a completar o sentido uns dos outros e mutuamente se inquirindo.

Podia citar outros excertos igualmente significativos nesta película de Amor e Silêncio. Podia escolher outros temas: a natureza, o tempo, os instantes, o que se apressa o que tarda, a paisagem as sombras, a luz, e o assombro de tudo a revestir o esteio que acolhe os versos.

O exercício desta escrita intensifica-se com a íntima viagem dos poetas para cumprirem a interior travessia do sentimento.

E diremos todos com Sophia: “no quadro sensível do poema vejo para onde vou, reconheço o meu caminho, o meu reino, a minha vida.”

Parabéns a todos pelos vossos poemas e que este vosso encontro seja interminável.

Obrigada.
Graça Pires
30 de Maio de 2015

terça-feira, junho 02, 2015

NOVO LIVRO - MARGINÁLIA


Foi apresentado no passado dia 30 de Maio 2015
Fundação José Saramago - LISBOA

Excerto do "Não-prefácio" de MARGINÁLIA:

"Unimos dez nomes, dez sensibilidades, dez identidades, dez formas de sentir, dez vontades. Nem todos nos conhecíamos. Nem todos nos havíamos sequer encontrado nas palavras. Mas ousámos conjugar-nos. E aventurar-nos numa navegação sem bússola por oceano desconhecido, com a única certeza de que uma enseada onde habita a poesia nos acolheria as diferenças. Nela fundeámos dez marginálias distintas. As nossas, que sublimámos de «coisas que estão à margem» em «coisas que marginam»: o discurso, o vocábulo, a rima, o verso, o deslizar poético. 
Somos dez interpretações de um mesmo livro. Dez leituras de um mesmo objectivo. Dez definições de um mesmo desejo."

Cecília Vilas Boas, Edgardo Xavier, Francisco valverde Arsénio, João carlos Esteves, João Morgado, José Brites Inácio, José Gabriel Duarte, José Luís Outono, Rita Pais e Tereza Brinco Oliveira

segunda-feira, maio 18, 2015

NOVO LIVRO - MARGINÁLIA








Dia 30 de Maio /2015 , será apresentado este projecto da união de dez nomes, aos quais, orgulho-me de pertencer.
Fundação José Saramago  
Lisboa

Pequena nota do "NÃO-PREFÁCIO"
"Unimos dez nomes, dez sensibilidades, dez identidades, dez formas de sentir, dez vontades. Nem todos nos conhecíamos. Nem todos nos havíamos sequer encontrado nas palavras. Mas ousámos conjugar-nos. E aventurar-nos numa navegação sem bússola por oceano desconhecido, com a única certeza de que uma enseada onde habita a poesia nos acolheria as diferenças. Nela fundeámos dez marginálias distintas. As nossas, que sublimámos de «coisas que estão à margem» em «coisas que marginam»: o discurso, o vocábulo, a rima, o verso, o deslizar poético.
Somos dez interpretações de um mesmo livro. Dez leituras de um mesmo objectivo. Dez definições de um mesmo desejo."